Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/10/2021
O programa “Plano de Metas”, implementado durante o período do governo de Juscelino Kubitschek, teve como objetivo o investimento em rodovias para a integração do país. Nessa perspectiva, o Brasil ficou refém do modal rodoviário que por ser um dos principais meios de transporte causou sua sobrecarga, gerando desafios para a mobilidade urbana. Dessa maneira, é possível destacar a negligência do Estado como causa, e a redução da qualidade de vida dos brasileiros como consequência da problemática.
Em primeira análise, é fundamental pontuar que os desafios da mobilidade urbana derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Como afirmou, Gilberto Dimeinstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso, é a escassez de políticas públicas voltadas para a aplicação da lei 12.587 da Constituição Cidadã, que garante boas condições para serviços de transporte público coletivo. Entretanto, a realidade prevista por lei não é aplicada na prática, tendo em vista as péssimas condições dos ônibus públicos, que não oferecem nenhum conforto para seus passageiros. Além disso, os ônibus são sujos, quentes e não disponibiliza água nem banheiro, fazendo com que muitos brasileiros prefiram pagar mais caro e se locomoverem no conforto de seus carros. Desse modo, faz-se necessárias a reformulação dessa postura estatal.
Ademais, é imperativo ressaltar a redução da qualidade de vida da população como consequência do trânsito caótico no Brasil. Em uma rodovia, um ônibus equivale a cinquenta e sete carros, partindo desses dados é perceptível como é muito mais vantajoso o uso de transportes coletivos nas grandes cidades. Contudo, a população prefere a comodidade de seus automóveis por serem mais rápidos e poderem chegar e sair na hora que quiserem. Essa realidade comum no Brasil é devido ao acúmulo de investimentos para esse tipo de transporte em detrimento de outras formas de locomoção, como por exemplo por modais ferroviários e hidroviários, porém a falta de estímulos para esse modais leva o sucateamento das rodovias, causando engarrafamentos e muitas horas perdidas no trânsito.
Portanto, é mister a adoção de medidas que resolvam os desafios da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Infraestrutura, órgão público responsável pelas políticas públicas nacionais de trânsito e transporte, incentivar a população usar transportes públicos, por meio da reforma dos ônibus adicionando água potável, banheiro e ar condicionado, a fim de que os passageiros prefiram trocar os seus carros pelo conforto dos transportes públicos. Com essa ação, as rodovias construídas por JK, não se sobrecarregarão com muitos carros.