Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 06/11/2021

Segundo o filósofo grego Aristóteles, a felicidade é o fim último da humanidade e é alcançada através do bem comum. Quando se trata da mobilidade urbana no Brasil, a ideia do pensador não é posta em prática. Dessa forma, é importante debater sobre os empecilhos da mobilidade urbana no país. Pois, apesar de ser assegurado por lei o direito de ir e vir do cidadão, na realidade, esse direito é tolhido de grande parte da população, por conta do mal planejamento das cidades e, consequentemente, gera uma queda na qualidade de vida das pessoas.

Em primeiro lugar, é importante salientar que a má ocupação das cidades é um fator preponderante para a complexa situação da locomoção nas vias urbanas. Historicamente, o processo de urbanização na sociedade brasileira foi feito de maneira rápida e pouco planejada, por conta do intenso fluxo de migrações do campo para as cidades e, consequentemente, apresentou uma ocupação intensa e desordenada do espaço. Desse modo, há uma grande circulação de pessoas nas ruas e, com isso, uma elevada procura por meios de transporte. Porém, os veículos disponibilizados para uso coletivo, em sua maioria, são precários e sofrem com um constante encarecimento das passagens. Sendo assim, há um baixo estímulo no uso de transportes coletivos e um aumento na procura de veículos individuais, por proporcionarem mais conforto e segurança.

Além disso, a queda na qualidade de vida da população é uma grave consequência do caos urbano. Na música “Construção” de Chico Buarque, o eu lírico trabalha em uma construção e sofre todos os dias com a poluição da cidade tanto do ar como a sonora, até que em um fatídico dia morre atropelado o que gera um grande engarrafamento na via. Dessa maneira, a música mostra a realidade de parte sociedade que enfrenta vários congestionamentos ao longo do dia e tem que conviver com a poluição produzida pelo ambiente urbano. Com isso, o tempo gasto pelos indivíduos nesses deslocamentos aumenta, o que favorece ao pouco tempo livre que poderia ser usado para o lazer e prática de atividade físicas. Dessa forma, o estresse causado pelas ocupações diárias e no trânsito somam-se e corroboram para a elevação dos riscos de doenças, principalmente as cardíacas. Logo, é perceptível que a vida nas cidades ameaça o bem-estar das pessoas que residem e usufruem dos seus serviços.

Fica evidente, portanto, que é imprescindível encontrar maneiras de solucionar os obstáculos do movimento nos centros urbanos do país. Desse modo, o governo federal, através do Ministérios das Cidades, deve promover um plano nacional que estimulasse o uso de transportes coletivos, por meio do aumento das frotas de ônibus, das manutenções constante e da regularização do preço de acordo com a realidade social da população para trazer segurança e um maior uso desses transportes.