Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/11/2021
O documentário “Salvando Notre-Dame”, distribuído pela rede televisiva “National Geographic”, aborda o árduo processo de reconstrução de uma das catedrais mais antigas do mundo. Análogo à produção, é fato que no contexto social brasileiro existem obstáculos quanto ao processo de construção e regularização da mobilidade urbana no Brasil. Isto é, a crescente cultura do capitalismo dos séculos XX e XXI somada à histórica negligência governamental foram causas motrizes para uma série de imbróglios sociais de cunho urbanístico.
Para o sociólogo alemão Max Horkheimer, o ser humano perde sua capacidade de reflexão à medida que fica preso às relações de consumo. Tal pensamento se aplica na realidade brasileira à medida que a tradição do individualismo faz com que, tanto administradores públicos, quanto a população, percam seu senso de coletividade. Ou seja, o consumismo e o desejo material de adquirir seu próprio veículo, adicionados ao desinteresse governamental em aprimorar a qualidade do transporte público se apresenta como um dos principais desafios para o aprimoramento da mobilidade urbana no país.
Nota-se, outrossim, que o processo de urbanização tupiniquim é catalisador para a crise de deslocamento. Isso porque, durante as décadas de 50 e 60, ocorreu no Brasil um dos maiores êxodos rurais do mundo. Esse processo, aliado à política de desvalorização ferroviária causou uma superlotação rodoviária, o que incentivou a indústria automotiva em detrimento do bem-estar de milhões de cidadãos.
Portanto, cabe ao Estado a tomada de medidas quanto ao aprimoramento da mobilidade urbana no país. Assim, o Ministério da Infraestrutura deve criar um projeto nacional de incentivo ao transporte público e coletivo por meio da destinação de recursos, prioritariamente, a prefeituras e governos estaduais que se comprometerem a reformar seu sistema de circulação, com foco no investimento ferroviário urbano, que além de ser mais eficiente, é menos danoso ao meio ambiente.