Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 06/02/2022
A música “Rodo Cotidiano”, da banda brasileira O Rappa, retrata a ineficiência do transporte público do território tupiniquim, destacando, ao decorrer da letra, a supersaturação e a lentidão desse modal.De maneira fidedígana a obra musical, hodiernamente, o Brasil ainda presencia desafios para garantir a mobilidade urbana, sendo essa realidade possibilitada não só pela ineficiência das leis, mas também pelo consumo de automóveis relacionado a status por parte dos cidadãos. Dessa maneira, urge que medidas sejam adotadas, a fim de reverter essa celeuma social. Em primeira análise, é indubitável que a pouca reverberação das leis no território nacional configura-se como um dos fatores responsáveis que impedem a plena mobilidade urbana.Essa atitude vai ao encontro do pensamento de Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, ao afirmar ,por meio da teoria do cidadão de papel, que embora as leis sejam garantidas na teoria, na prática elas não ocorrem, já que são subtraídas pelo Estado. Em consonância com o pensamento do intelectual, mesmo que a Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, declare o direito de ir e vir, bem como o acesso a transporte, percebe-se que tais prerrogativas não são consolidadas, porquanto a ineficiência do transporte público( como tematizado na letra),os congestionamentos, (provocados pela grande frota de veículos), como também a pouca diversidade dos meios de transporte impedem a reverberação dessas pautas legislativas. Isso, por sua vez,mostra-se preocupante, tendo em vista que em grandes cidades, como São Paulo, os cidadãos podem passar, anualmente, o equivalente a quarenta e cinco dias parados no trânsito( segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), demonstrando que as asseguração inalienáveis concedidos pela Carta Magna não são reverberados, como afirmado por Dimenstein, o que além de representar uma ameaça a democracia, permite uma realidade conflituosa como a tematizada na música. Em segunda análise, cabe considerar a grande quantidade de carros que são adquiridos anualmente como um dos percussores dessa preocupante conjuntura. Sob esse viés, desde meados do século XX, com o modelo nacional desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, a indústria automobilística foi incentivada, por meio da criação de rodovias, inserções fiscais e propagandas que associavam o veículo ao prestígio social e ao “moderno”, com o fito de criar um potencial mercado brasileiro para esse setor. Embora tenha-se passado mais de uma década desde a esse acontecimento, a associação do carro ao “status” social ainda ocorre, fazendo com que, muitas vezes, um veículo capaz de transportar cinco pessoas, seja para o uso de apenas uma. Assim, a continuidade dessa panorama permite que pela grande frota de veículos haja engarrafamentos e maior poluição ambiental, o que consequentemente gera mais estresse e menor qualidade de vida. Destarte, mais medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Economia repassar mais verbas para a secretaria de obras do município, por meio do corte de verbas em setores não essenciais( como a minimização de custos com o auxílio-paletó concedido aos políticos), a fim de possa ser estabelecido um transporte público de qualidade e sejam destinados investimentos para a melhorias dos modais de transporte.Outrossim, cabe às instituições de ensino promoverem o ensino sobre mobilidade urbana, destacando a necessidade de transportes alternativos, com o fito de minimizar a frota de veículos. Como efeito social, haverá cidadãos que prezam pela efetivação dos seus direitos constitucionais, permitindo que situações de descaso, como tematizado na canção da banda O Rappa, permaneçam apenas no plano artístico.