Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/02/2022

No longa-metragem “Homem-Aranha: sem volta para casa”, há uma cena em que o trânsito da cidade de Nova Iorque é interrompido por um vilão com super-poderes que, ao ver Peter Park entre os carros, começa a atingi-los ocasionando um engarrafamento em toda a avenida. Diferentemente do ocorrido no filme, o congestimento nos centros urbanos no Brasil não é causado por um ser mágico, mas sim, pela enorme quantidade de veículos que transitam pelas ruas. Dessa forma, os desafios da mobilidade urbana no Brasil têm origem nos grandes investimentos no setor automobilístico brasileiro e na priorização do setor rodoviário para o transporte e distribuição de produtos.

Precipuamente, é fulcral pontuar a quantia de capital direcionada aos setor automobilísticos como causa latente da problemática. No ano de 1947, a política brasileira de importação de automóveis foi modificada pelo presidente em vigor na época, Getúlio Vargas, que restringiu a importação de veículos automotores e autopeças e investiu na produção nacional desses produtos. Dessa maneira, a concentração de veículos dentro do território nacional e, principalmente, urbano aumentou em larga escala, o que fez com que mais pessoas deixassem de utilizar o transporte público. Esse aumento drástico levou à necessidade de se construir mais rodovias e avenidas, que, ainda assim, não foram suficientes visto que engarrafamento, lentidão e estresse eram e são palavras-chave que caracterizam a mobilidade urbana brasileira.

Ademais, é fulcral pontuar a priorização do setor rodoviário em detrimento dos outros como meio de transporte e distribuição de produtos como outro fator estritamente ligado à questão. Durante o governo de Juscelino Kubitscheck, foi planejado a implantação do plano de metas mais conhecido como “50 anos em 5” o qual deu prioridade à manutenção e construção de novas rodovias que ligassem o país. Ainda nos dias atuais, o Brasil tem uma das maiores malhas rodoviárias do mundo. Dessa maneira, veículos de carregamento de produtos também precisam das rodovias, o que gera um acúmulo ainda maior uma vez que veículos desse porte ocupam o espaço que poderia ser ocupado por três ou mais carros e não têm como objetivo o transporte urbano de indivíduos. Logo, ações que visem a menor circulação de automóveis são necessárias.

Portanto, indubitavelmente, medidas estratégicas são necessárias para resolver o impasse. Assim, o Ministério da Fazenda, em parceria com os governos estaduais, deverá propor a criação da campanha “Mais ferrovias” por meio de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados. Essa campanha terá como objetivo a criação de novas ferrovias a fim de diminuir o fluxo de veículos automobilísticos nas rodovias e contará com a participação de arquitetos, engenheiros e pedreiros que planejarão e iniciarão a construção das mesmas por todos os estados brasileiros. Além disso, os transportes públicos serão reformados com a intenção de atrair mais pessoas para o seu uso. Espera-se, com essas medidas, que os desafios da mobilidade urbana no Brasil sejam, enfim, extintos.