Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/05/2022

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém a questão das dificuldades que decorrem da mobilidade urbana contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no Brasil, o planejamento urbano não foi pensado para favorecer toda população. Nesse contexto, torna-se evidente o legado histórico, bem como questões socioculturais.

Sob esse viés, pode-se apontar como empecilho à consolidação de uma solução, o legado histórico. De acordo com o pensamento de Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente às questões coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o planejamento urbano adequado para o deslocamento nas principais áreas urbanas, mesmo que fortemente presentes no século XXI, apresentam raízes intrínsecas à história brasileira, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Além disso, cabe ressaltar que as questões socioculturais são um forte empecilho para resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da mobilidade urbana na sociedade brasileira é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, o centro de uma cidade é mais atrativo e respectivamente mais valorizado, a tendência é que uma parcela da população com maior poder aquisitivo passe a morar nesse lugar. No entanto, a desigualdade estrutural começa a surgir, pois a maior parte da população mora às margens do centro e precisa de transporte público. Com isso, surge uma concentração de automóveis nas ruas, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Convém, portanto que medidas sejam implantadas para solucionar esse impasse. Logo, é necessário que o Ministério de Infraestrutura em conjunto com a Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana e Desenvolvimento Regional, criem estratégias que visem otimizar o planejamento urbano no Brasil. Esse planejamento deve ser realizado por meio de verbas destinadas a pasta e em parcerias com arquitetos urbanistas e engenheiros. No intuito de promover outras opções de locomoção nas principais áreas urbanas. Talvez, assim, seja possível construir um país de que São Tomás de Aquino pudesse se orgulhar.