Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 25/07/2022
O direito ir e vir é assegurado como uma garantia fundamental prevista na Constituição Federal. Todavia, há cada vez mais dificuldades em garantir esse direito, devido ao crescimento desordenado das cidades brasileiras nas últimas décadas. A mobilidade urbana é caracterizada como a capacidade de locomoção das pessoas dentro de um espaço urbano, levando em consideração fatores sociais, econômicos e estruturais. Dessa forma, a locomação das pessoas no espaço urbano revela-se um problema social alarmante, visto que é um obstáculo ao bom aproveitamento de tempo e da qualidade de vida da população em geral.
Entre as causas dos problemas ligados à mobilidade urbana está o incentivo governamental à utilização de veículos particulares, política econômica iniciada por Kubitschek na década de 50. Entretanto, tendo em vista que atualmente há milhares de veículos trafegando pelas vias públicas, o que dificulta o acesso e o bom aproveitamento do espaço público, é preciso rever esse modelo consumista para outro mais viável, em que se incentive outros modais de transporte urbano.
Como resultado do enorme contingente de carros e motos nas cidades, há lentidão do tráfego, gerando demasiado estresse aos trabalhadores e estudantes, que são obrigados a perder horas preciosas do dia para chegar até o destino e retornar para casa. Vale ressaltar que já existem modais alternativos que foram desenvolvidos na esperança de desengarrafar as grandes avenidas. Um exemplo foi a empresa “Yellow” que disponibilizou bicicletas e patinetes para alugar em diversas cidades brasileiras com o objetivo de incentivar o uso de mecanismos de locomoção sustentáveis. A empresa, contudo, encerrou suas atividades por não possuir apoio do Estado, além de ter relatado diversos acidentes, em razão da falta de segurança no trânsito dos grandes centros urbanos.
Portanto, medidas devem ser tomadas para que seja viável a utilização de tranportes sustentáveis, públicos, seguros e eficientes. Para isso, as prefeituras podem, por exemplo, investir na construção de calçadas e ciclovias, bem como ampliar a capilaridade das linhas de ônibus e aumentar o número de veículos da frota, possibilitando uma maior integração urbana, o que incentivaria a população a peferir transportes coletivos.