Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/09/2017

Durante o movimento futurista, no século XX, houve a exaltação do moderno, do tecnológico e, nesse contexto, o automóvel tornou-se um símbolo do progresso. Entretanto, o atual panorama caótico da mobilidade urbana mostra que tal definição é questionável. Com efeito, um diálogo entre sociedade e Estado acerca da qualidade de locomoção é medida que se impõe no século XXI.

Em primeiro plano, a urbanização acelerada e desorganizada, associada à opção pelo rodoviarismo durante o governo de Juscelino Kubistchek, criaram um cenário propício à proliferação de problemas, como o trânsito caótico. Nesse contexto, a qualidade - ou falta - dos transportes coletivos leva os cidadãos a optarem pelos veículos individuais, o que contribui para a saturação de estradas e rodovias. Portanto, fica evidente a necessidade de proporcionar à população condições para priorizar o uso dos transportes públicos e, assim, contribuir para maior fluidez no deslocamento.

De outra parte, a busca pela aquisição de automóveis faz parte do cotidiano de grande parte da sociedade. A esse respeito, Adam Smith, considerado o “pai do Liberalismo”, afirmava que a prosperidade coletiva dependia exclusivamente do esforço de cada indivíduo na busca de seus próprios interesses. Com efeito, tal ideologia reflete-se na realidade atual, estando altamente relacionada ao culto ao carro e a associação deste ao status social do indivíduo.

Urge, portanto, a necessidade da criação de políticas que ajudem a amenizar o panorama caótico da mobilidade urbana no Brasil. O Governo deve investir na qualidade dos transportes coletivos, criando a infraestrutura necessária para que tal opção seja oferecida de forma digna à sociedade. A associação entre iniciativas privadas e públicas, com o objetivo de criar maior conexão entre os modais pode gerar maior integração do nível local ao Nacional. Dessa forma, alcançaríamos o tão sonhado progresso.