Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/09/2017

Rotação de placas. Faixa exclusiva de ônibus. Bicicletar. Torna-se inegável visualizar tentativas, em esferas regionais, para uma melhor locomoção urbana em todo o Brasil. Contudo, tais iniciativas, infelizmente, negam um planejamento profissional que atenda as características sociais, históricas e estruturais da nação. Perpetuando, assim, pioras na qualidade de vida de muitos cidadãos, meio ambiente e cidade.

Em uma primeira abordagem, nota-se como o incentivo a compra do carro próprio no Brasil classifica-se como um avanço sócio-econômico atual. Enquanto, em países como o Canadá tal instrumento torna-se dispensável frente a qualidade dos modais públicos. Desta forma, a riqueza individual brasileira está se configurando em prejuízos para toda a sociedade, com aumento de engarrafamentos - com aproximadamente 3 horas por dia em São Paulo - somado a liberação de poluentes atmosféricos. Reflexos não de um desenvolvimento nacional, senão de uma falha busca cidadã de melhores qualidades de transporte, não oferecidas pelo Estado.

Outro ponto importante diz respeito a integração nacional desde o início do Governo JK em 1956, com a visão da mudança do padrão arquipélago pelo rodoviarismo. Todavia, tais investimentos negaram estudos geográficos da nação, como de Milton Santos, ao não atentar para o ferroviarismo como solução mais eficaz para a extensão territorial, como implantado e com bons resultados nos EUA e na Rússia. Afirmando, assim, uma dependência de estradas danificadas pelo clima equatorial vigente e de poucas possibilidades de modais.

É indispensável, portanto, que os Governos Municipais invistam em melhores qualidades e em maiores frotas de veículos, somado a campanhas de conscientização social, sobre a adoção do transporte público para diminuição do tráfego e da poluição pela grande quantidade de combustível fóssil, ao possuir a colaboração cidadã na redução dos engarrafamentos. Ademais, é importante que a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente desenvolva projetos para uma intermodalidade nacional, dando preferência para ferrovias, por investimentos de empresas privadas que receberam seu reembolso por meio de pedágios colocados nos locais das construções, contribuindo para a sociedade e indo de acordo com as verbas disponíveis.