Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/09/2017
Trânsito caótico. Acessibilidade precária. Coletivos superlotados. Contrariando a Constituição Nacional, que garante o direito de ir e vir aos cidadãos, a mobilidade urbana brasileira exibe inúmeras falhas no que diz respeito à qualidade dos serviços oferecidos, as quais promovem a insatisfação das pessoas que dependem desses meios de transporte.
Primeiramente, é importante pontuar que a desqualificação do atendimento público prestado no país, estimulou o aumento dos números de veículos particulares nas vias. Em 2015, segundo dados do DENATRAN, o Brasil possuía uma frota de aproximadamente 50 milhões de automóveis. Ou seja, a população descontente com visualiza somente vantagens no uso de autos privativos. Contudo, essa alternativa promove grandes engarrafamentos, pois nem mesmo os centros urbanos mais desenvolvidos, como São Paulo, estão estruturados para suportar o fluxo desorganizados de carros, motos e ônibus.
Paralelamente, outra característica negativa para essa questão é a dificuldade de locomoção que portadores de alguma necessidade especial enfrentam, pois a acessibilidade está intimamente relacionada à mobilidade. De acordo com o IBGE, somente 4,7% dos passeios urbanos contam com rampas para cadeirantes, e um número ínfimo de calçadas são adaptadas para os deficientes visuais. Sendo assim, é perceptível que essa situação afeta de maneira semelhante os diversos segmentos da sociedade, embora interferindo de modo mais acentuado naqueles que desejam uma maior independência.
Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com as Superintendências Municipais de Transporte e Trânsito, investir fundos do Tesouro Nacional, na manutenção de serviços já existentes e na fomentação de grandes empreendimentos, como metrôs e veículos leves sobre trilhos, com objetivo de diminuir o uso de frotas individuais e estimular o coletivo. Além disso, as prefeituras devem utilizar parte das verbas arrecadadas através do IPTU em obras que permitam a transitabilidade adequada nas diversas ruas e avenidas, tais como sonorização de semáforos, com intuito de gerar melhor qualidade de vida aos que possuem algum déficit físico. Pois, segundo Confúcio, a não correção das falhas existentes é o mesmo que novos erros.