Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/09/2017
Penso, logo vou sem carro
Cinco horas da tarde. Ônibus lotados. Muitos carros. Engarrafamento. Estresse. Esse é um cenário cotidianamente noticiado em jornais e rádios que apontam um problema: o transtorno do cidadão brasileiro frente à mobilidade urbana. Em 1974, foi implantado o “Bus Rapid Transit and System” - BRT no Paraná e, sucessivamente, em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de janeiro. No entanto, os congestionamentos nessas cidades são quilométricos. Dessa forma, é imperativo entender que ainda há desafios que impedem o total êxito dos meios de transporte.
Em primeira instância, pode-se observar o histórico rodoviário do Brasil. Na década de 50, Juscelino Kubitschek, com seus planos de meta, estimulou a interiorização nesse território, construiu a rodovia Belém-Pará e não investiu no sistema ferroviário visto incentivos automobilísticos e alto custo desse. Dessa forma, pode-se notar que, desde esse período nas grandes cidades, há um crescimento exponencial de compra de carros acompanhado de engarrafamento. Logo, torna-se natural afirmar que esse legado está diretamente relacionado à qualidade do trânsito.
Além da herança relatada, chega-se a uma representativa questão: o movimento pendular. Esse conceito está relacionado aos indivíduos que trabalham longe de casa e precisam ir e vir todos os dias. Segundo dados do Jornal Estadão, os trabalhadores paulistas perdem quase um mês por ano no trânsito, visto que as periferias são mais baratas para viver. Ademais, de acordo com o mesmo jornal, a quantidade de ônibus não é proporcional ao número de cidadãos. Dessa forma, nota-se que esse tipo de migração associado ao número ônibus colabora com a falta de êxito da mobilidade urbana.
Fica evidente, portanto, que há inúmeros fatores que prejudicam a qualidade dos transportes e trânsito. Diante disso, cabe ao Poder Executivo investir em outros meios, construir mais linhas de trens e metros e aumentar a quantidade de ônibus, de forma a diminuir o número de carros nas ruas. Ademais, essa mesma instituição, deverá desenvolver o monocentrismo urbano, construindo centros comerciais em bairro populosos e povoados, para, assim, promover descentralização e diminuir o engarrafamento. Outrossim, a sociedade deve conscientizar-se e ir ao trabalho utilizando transporte público ou bicicletas, pois, dessa maneira, o trânsito fica mais livre e o estresse diminui. Somente assim, será possível parafrasear Descartes, pois o ser humano só existirá, se pensar e utilizar outros meios de locomoção.