Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 19/08/2022
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, retrata-se a chamada “cegueira branca”, da qual atinge todos os habitantes da região, impedindo-os de ver a realidade. Ao sair do âmbito literário, o contexto brasileiro se encontra de forma semelhante, uma vez que há desafios banalizados pela população, como o da precária mobilidade urbana. Dessa forma, é crucial analisar a negligência estatal e a ausência de planejamento como contribuintes para a fomentação desse pernicioso cenário.
De início, é válido destacar o tergiversar estatal frente à capacidade de locomoção social. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever das autoridades garantir o bem-estar populacional. Porém, isso não é praticado no Brasil hodierno, dado que se encontram barreiras para o acesso da mobilidade urbana de qualidade, comprometendo o fluxo de indivíduos entre locais de moradia e trabalho, e aumentando a quantidade de horas em trajetos cotidianos. Devido a isso, faz-se mister a reformulação da postura governamental, visto que sua negligência dificulta o progresso nacional.
Ademais, vale salientar a histórica falta de planejamento dos modos de locomoção no contexto verde-amarelo. Isso porque, durante o governo de Juscelino Kubitschek, houve a construção de rodovias, ocasionada pelo aumento do inchaço urbano pela industrialização. Contudo, a concentração de apenas um método de transporte acentuou a presença de veículos de mercadoria em rotas diárias de pessoas, o que dificultou a fluidez no trânsito. À vista disso, torna-se de extrema importância a reorganização de cidades, de modo a melhorar a qualidade de vida da população.
Portanto, com objetivo de alterar o cenário exposto, é dever da Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviço –responsável pela administração da circulação plena e digna dos cidadãos ao seu destino–, em união às Prefeituras, incentivar o uso de transportes coletivos, a partir do investimento monetário em novos modelos de locomoção urbana baratos e eficientes, com intuito de atenuar a estagnação do trânsito nas cidades e melhorar o bem-estar da sociedade. Somente assim poderá pôr fim à “cegueira branca” no Brasil.