Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/09/2017

O Brasil hoje faz parte de uma lista de países em desenvolvimento, ou seja, tem apresentado expressivo crescimento econômico. No entanto, quando voltamos o olhar para a questão da mobilidade urbana o mesmo progresso não pode ser percebido. Tal pauta já ganhou lugar de destaque na agenda nacional, uma vez que a ineficiência do transporte brasileiro fere princípios assegurados pela própria constituição do país, como o mínimo existencial para a dignidade cidadã.

É preciso considerar, primeiramente, a forma como se deu a urbanização brasileira. Desde a década de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o país transitou da realidade agrária para a industrial. Contudo, esse processo ocorreu de maneira abrupta e concentrada o que estimulou um modelo de urbanização acelerado. O demérito desse cenário está no fato de que, a medida que os centros ganhavam importância, tornavam-se mais caros e induziam a segregação da população mais pobre às periferias. Nesse sentido, tais áreas, ainda hoje, recebem menos investimento em infraestrutura o que resulta no dramático movimento pendular dentro de um transporte ineficiente, no que se refere a tempo, qualidade e custo do deslocamento.

Além disso, a questão da mobilidade urbana ultrapassa a fronteira da problemática estrutural do país e toca na lógica comportamental do brasileiro. Num Estado Nacional que foi forjado de modo coercivo e unilateral, sem a participação da sociedade, a noção de coletividade foi esquecida fomentando o individualismo. Tal realidade é percebida no transito, dado o número de pessoas que, não obstante, descartarem o transporte coletiva, não se esforçam para dividir um carro quando se deslocam no mesmo horário para o mesmo lugar.

Nesse contexto, o automóvel está longe de atender as demandas da sociedade brasileira, haja vista que esse é o principal reagente de uma equação. cujo produto é o caótico trânsito do país. Todavia, paradoxalmente, a indústria automobilística no Brasil não para de crescer, já que o carro é um símbolo de status social para essa população. Observar tal cenário é se deparar com a urgência de ações necessárias.

Torna-se evidente, portanto, que a sexta economia do mundo do mundo encontra na questão da mobilidade urbana um desafio. Dessa forma, as secretarias de transporte podem investir em medidas restritivas que visam melhorar o tráfego urbano, como o rodízio de placas, criação de faixas exclusivas e a restrição de circulação em áreas especiais. Ainda, a mídia pode, a partir de campanhas publicitárias, incentivar um maior consumo dos meios de deslocamento coletivo. Talvez assim, no futuro, a problemática em voga não caracterize mais um desafio para o Brasil,