Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 29/09/2022

Na canção “Trem das onze”, de Adoniran Barbosa, o eu lírico expressa seu descontentamento ante a impossibilidade de permanecer com sua amada, devido às limitações do sistema de transporte. Analogamente à composição, no Brasil contemporâneo, os cidadãos ainda enfrentam desafios relativos à locomoção no ambiente citadino. Nesse contexto, a falta de acessibilidade e de investimentos em transportes comunitários despontam como principais impasses.

Inicialmente, cumpre salientar que a parca adaptação dos aparatos de mobilidade urbana fomentam o óbice. Nesse aspecto, é imperioso mencionar que a Carta Magna de 1988 prevê, no Artigo 5º, o direito de ir e vir a todos os habitantes do território nacional. Contudo, faz-se evidente a carência de veículos públicos com estrutura adequada para assitir pessoas com deficiência, o que dificulta seu deslocamento autônomo e cerceia seu pleno exercício da cidadania. Logo, esses brasileiros permanecem socialmente marginalizados.

Outrossim, vale ressaltar que as escassas aplicações estatais em meios coletivos ou alternativos de condução corroboram o flagelo. Sob esse viés, insta reportar ao Plano de Metas do presidente Juscelino Kubitscheck, o qual impulsionou a construção de rodovias e a atração de multinacionais automotivas ao país. Nesse sentido, hodiernamente, observa-se a herança de tais investimentos na pujança de automóveis pessoais, ao passo que os diminutos veículos compartilhados mostram-se superlotados, e as ciclovias, negligenciadas. Dessa forma, imperam congestionamentos que obstaculizam a fluidez do tráfego nos centros urbanos.

Depreende-se, portanto, que a precária acessibilidade e a falta de investimentos em transportes públicos engendram a mazela. Urge, então, que o Estado - instituição encarregada da salvaguarda dos direitos dos cidadãos - promova maior efetivação e fiscalização da Política Nacional de Mobilidade Urbana, por intermédio da utilização de verbas federais, a fim de universalizar o deslocamento nas cidades. Ademais, é mister que o Ministério da Infraestrutura amplie as ciclovias e realize a adaptação dos modais de locomoção coletiva convencionais. Dessarte, inquietações semelhantes às registradas em “Trem das onze” far-se-ão menos presentes no cotidiano dos brasileiros.