Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/09/2017

Em seu plano desenvolvimentista entitulado “50 anos em 5”, Juscelino Kubitscheck, propôs a implantação do rodoviarismo, o que aumentou significativamente o uso de veículos. Contudo, ao observar o cenário atual, constata-se o sucateamento de tal modelo, uma vez que a ausência de organização socioespacial e a ineficácia dos transportes públicos viabilizaram a ocorrência de problemas na mobilidade das cidades brasileiras. Nesse contexto, precisa-se da ação conjunta dos diversos agentes a fim de atenuar esse quadro.

Em primeiro plano, é válido ressaltar a falta de planejamento urbano como fator fundamental para o mau funcionamento da mobilidade. O processo de gentrificação gradativo nos grandes centros gera o isolamento das classes menos favorecidas para áreas periféricas, nas quais - em sua maioria - não há prestação de servicos básicos eficientes, o que torna preciso o deslocamento de grandes contingentes populacionais diariamente. Isso, somado à precariedade do transporte público, ocasiona engarrafamentos quilométricos. Assim, nota-se a questão como descumprimento do artigo 5º da constituição federal de 1988, que assegura o direito de ir e vir dos cidadãos.

De outra parte, cabe apontar a dificuldade de locomoção enfrentada pelos portadores de necessidades especiais. Segundo Aristóteles, a política deve ser aplicada de tal maneira que o equilíbrio em sociedade seja alcançado. Analogamente, percebe-se que a ineficiência dos serviços públicos de mobilidade ferem esse princípio, visto que o modelo mostra-se insuficiente para atender às demandas de deficientes físicos - situação que dificulta o alcance da inclusão social. Diante disso, é indiscutível que sensíveis melhoras devem ser promovidas para que a isonomia seja validada.

Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser implantadas a fim de combater o impasse. Cabe ao governo investir parte do PIB na melhoria dos meios de transporte públicos e em projetos de replanejamento urbano de forma a concretizar, paulatinamente, a acessibilidade e a estruturação dos espaços urbanos periféricos. Outrossim, a grande mídia deve cumprir seu papel social com a promoção de campanhas de conscientização por meio de propagandas e debates, mostrando à população o quão essencial é lutar pelos seus direitos. Por fim, o ministério da educação necessita instituir palestras e incentivar a discussão dessa mazela em sala de aula, com o fito de formar jovens dotados do senso de cidadania, no qual a luta por mudanças constitui-se em uma regra básica. Afinal, como diria Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele.