Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 15/09/2017
A partir da segunda metade dó século XX, o Brasil sofreu intensas modificações no seu cenário urbano. Durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) houve um grande incentivo à compra de automóveis, e, com o passar do tempo a circulação de veículos foi se tornando algo cada vez mais comum. Entretanto, quando o panorama atual é analisado, fica evidente que o crescimento do número de veículos tem se tornado um grande vilão para mobilidade urbana em todo Brasil, sobretudo nos grandes centros.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010 o crescimento da frota de veículos ultrapassou o crescimento humano em aproximadamente 10%. Esse aumento pode ser explicado pela elevação da renda da população registrada nesse período e pelos incentivos cedidos pelo governo para a compra de automóveis, por meio da redução de impostos e fornecimento de empréstimos. Essa parceria desencadeia algumas consequências como um maior endividamento da população e um trânsito superlotado, em que a simples tarefa de sair de casa para o trabalho dura, em média, mais de meia hora nas grandes cidades, segundo um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Nesse contexto, as forma de tráfego coletivo não têm recebido a atenção necessária pelas autoridades. Ônibus, trens e metrôs são ótimas alternativas ao transporte individual, mas devido à precariedade desses meios, maiores contingentes da população tem optado por se deslocar através de veículos próprios, contribuindo de forma direta para tornar o trânsito ainda mais caótico. Vale salientar que essa negligência governamental em relação à mobilidade também afeta o ambiente, pois meios de condução coletiva poluem muito menos que os individuais.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver os infortúnios supracitados. A concessão de créditos para a compra de veículos individuais deve ser freada em vista de um maior investimento nos meios coletivos como a melhoria de estações de metrô, rodoviárias e a construção de vias restritas a ônibus. O fechamento das ruas à beira-mar também é imprescindível para a segurança dos pedestres, assim como o respeito às calçadas, pois muitos motoristas estacionam nelas. A ONG Rodas da Paz é um grande exemplo de que a bicicleta é a melhor opção do ponto de vista econômico, ecológico e social, pois além de ter um um custo relativamente baixo e não poluir o ambiente, é um veículo que não apresenta altos índices de acidentes, por isso é tão importante o incentivo à criação e manutenção das ciclovias. A ação conjunta dessas alternativas contribuiria de forma benéfica para uma melhor mobilidade social nos centros urbanos.