Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 16/09/2017
As cidades mais resolvidas dão o espaço necessário ao coletivo.
Mobilidade urbana é a condição criada para as pessoas poderem se locomover entre as diferentes zonas de uma cidade. Atualmente, os automóveis particulares e os meios de transportes públicos são os meios de locomobilidade mais utilizados. Os carros, no entanto, representam um grande problema para a qualidade da mobilidade brasileira, principalmente nos grandes centros urbanos e metrópoles.
A explosão do desenvolvimento rodoviário aconteceu nas décadas de 40 e 50, com o governo de Juscelino Kubitschek. A partir dessa época com o advento das fábricas de automóveis e do próprio automóvel, a prioridade dada pelo governo foi para a expansão da malha rodoviária. Atualmente de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a malha rodoviária brasileira já tem pouco mais de 1,5 milhões de quilômetros. No entanto, essa herança rodoviarista gerou um acúmulo nos investimentos para transportes individuais. Com isso, aumentou-se também a presença de veículos pesados, como os caminhões, o que dificulta ainda mais a fluidez do trânsito.
A principal causa dos problemas de mobilidade urbana no Brasil relaciona-se ao aumento do uso de transportes particulares em detrimento da utilização de transportes coletivos, embora esses últimos também encontrem dificuldades como a superlotação. Esse aumento do uso de veículos tal como carros e motos deve-se principalmente à má qualidade do transporte público, ao aumento da renda média do brasileiro nos últimos anos e os incentivos promovidos pelo Governo Federal para o mercado automobilístico, como a redução do IPI. Logo, tornaram-se ainda mais constantes os problemas com engarrafamentos, lentidão, estresse e outros.
Desse modo, faz- se necessário um maior estímulo aos transportes coletivos públicos por iniciativa da ANTT em parceria com o governo municipal e empresas privadas de transporte, através da melhoria da qualidade, eficiência e do desenvolvimento de um trânsito focado na circulação desses veículos. É imprescindível também a adoção dos pedágios urbanos, uma taxa cobrada dos carros que circularem nas regiões centrais da cidade, medida essa já adotada em Londres e Estocolmo. O que faria com que as pessoas utilizassem, em tese, menos os veículos para seus deslocamentos. Tomando como ensinamento a frase de Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá percebe-se que as cidades mais resolvidas do mundo dão maior espaço ao coletivo, desse modo os carros devem ficar em segundo plano.