Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 17/09/2017

Na década de 1920, no governo de Juscelino Kubistchek, foi elaborado o chamado Modelo Rodoviarista, que consistia na construção, ampliação e melhoramento de rodovias, sob a ideologia “governar é abrir estradas”. Sendo assim, tal manobra política viabilizou a instalação de indústrias automobilísticas, o que principiou a garantia da livre circulação de pessoas entre as diferentes áreas da cidade. Desde então, a mobilidade urbana submeteu-se a avanços e, no limiar hodierno, seus desafios são causados essencialmente pela herança histórica da política rodoviarista do país e pelo crescente número de veículos individuais nas ruas das cidades.

Sob tal perspectiva, é necessário salientar que, dentre os diversos meios de locomoção existentes no Brasil, o transporte rodoviário é o mais barato, o mais rápido em tempo de construção e o que mais contribui para uma maior periferização. Portanto, o acúmulo de investimentos nesse setor, desde o Modelo Rodoviarista do século XX, em detrimento de outros meios de transportes, propiciou o aumento de veículos pesados nas ruas, avenidas e estradas, o que impede a fluidez do trânsito e acresce a  sua lentidão.

De forma análoga, o aumento de carros nas ruas contribuem para um movimento pendular caótico e um inchaço do trânsito. Assim, os incentivos governamentais para o mercado automobilístico, a facilidade de obtenção de veículos para a classe média e a ineficiência da infraestrutura dos transportes públicos aumentam as desigualdades sociais, bem como a periferização e os engarrafamentos. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), em horários de pico, as ruas e avenidas caracterizam-se por grande quantidade de carros, que levam em média 1,4 pessoas, e poucos ônibus, responsáveis pelo transporte de oitenta pessoas.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar a problemática da conjuntura apresentada. Logo, o Governo Federal deve substituir os investimentos nos transportes rodoviários por incentivos à indústria do ciclismo, mediante a criação de pistas exclusivas nas avenidas, leis que assegurem o respeito aos ciclistas e sinalização específica, a fim de possibilitar a fluidez do trânsito. Ademais, o Governo Municipal deve criar projetos que promovam a melhoria na qualidade e infraestrutura dos transportes públicos e priorizem a população de baixa renda, com o intuito de atenuar os entraves no movimento pendular e viabilizar uma inclusão social da classe referida.