Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/10/2022
A série “Explicando” aborda sobre os problemas relacionados ao uso do petróleo e seus derivados, como os combustíveis dos veículos, que causam danos quanto a sua queima. Nesse contexto, ao analisar a realidade brasileira, nota-se o reflexo dessa narrativa, uma vez que a questão da mobilidade urbana no Brasil apresenta entraves para o desenvolvimento deste. Sendo assim, tem-se a negligência estatal e a influência midiática como alguns desses desafios a serem enfrentados.
Sob esse viés, vale ressaltar a ineficácia do Estado quanto à expansão de coberturas modais, como as ciclovias. Desse modo, de acordo com pesquisas da Folha de São Paulo, as ciclovias não chegam nem a metade do tamanho do estado paulista e além disso, se concentram nas regiões centrais do estado. Com isso, essa ausência de priorização prática dessa mobilidade sustentável, faz com que mais pessoas optem por usar seus carros privados, ao invés de usar bicicletas, por exemplo. Assim sendo, a emissão de gases poluentes continue a crescer e haja prejuízos ambientais e problemas respiratórios.
Além disso, outro vetor recai sobre o histórico estímulo comercial para o uso do automóvel particular. Dessa forma, desde a década de 50, o Brasil é considerado um país rodoviarista, devido as políticas incentivadas por JK, atrelado ao status social de ter seu próprio automóvel. Dessa maneira, percebe-se a continuação desse pensamento, já que o carro próprio é sinônimo de riqueza, enquanto que os transportes públicos são usados apenas pelos “menos favorecidos”. Logo, tudo isso corrobora diretamente para o aumento da quantidade de veículos, o que aumenta também, o problema de engarrafamento.
Depreende-se, portanto, que os departamentos estaduais de trânsito do país, órgãos responsáveis pelo bom andamento das rodovias, deve priorizar as coberturas modais, por meio de investimentos na construção de ciclovias nas cidades, de forma igualitária quanto às regiões, além do aumento da disponibilidade de transportes públicos de qualidade, a fim de as pessoas tenham alternativas para escolher a melhor forma de locomoção, além da possibilidade de diminuição dos engarrafamentos. Logo, as cenas de “Explicando” serão apenas ficção.