Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/10/2022

A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma civilização perfeita, caracterizada pela ausência de conflitos. Contudo, a realidade brasileira difere desse cenário fictício, uma vez que os desafios da mobilidade urbana dificultam a concretização dos planos de More. Esse quadro antagônico é fruto de questões de cunho governamental e social. Nesse sentido, urge a análise dos entraves da problemática.

Precipuamente, é indubitável que a inoperância estatal corrobora para a persistência do óbice. Conforme a Carta Magna de 1988, o acesso aos meios de locomoção é um direito social. Entretanto, no que concerne a assegurar o fluxo locomotivo das metrópoles, o poder público falha, haja vista a

a carência de investimentos no setor de transportes públicos, bem como de melhorias nas estruturas de locomoção coletiva, como ônibus e metrôs. Desse modo, é imperiosa a reformulação da postura política vigente frente ao imbróglio, a fim de democratizar os modais coletivos.

Outrossim, é válido pontuar que o uso excessivo do carro particular contribui para a crise da locomobilidade urbana. Consoante o escritor chileno Pablo Neruda, “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Tal pensamento alude aos efeitos negativos ocasionados pela cultura capitalista de supervalorização dos automóveis individuais, a exemplo dos congestionamentos diários, acidentes e lentidão no tráfego dos grandes centros metropolitanos do país. Nessa perspectiva, mudanças na mentalidade grupal são necessárias para promover

efetivamente a qualidade e segurança das malhas rodoviárias.

Diante do exposto, medidas são cruciais para efetivar o direito constitucional de ir e vir. Logo, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Infraestrutura, órgão responsável pelas diretrizes automotivas, destinar aplicações monetárias na compra e manutenção dos veículos coletivos, com o objetivo de diminuir os engarrafamentos e aumentar o conforto e a segurança dos translados citadinos. Posto isso, a prerrogativa ratificada na Constituição será posta em prática e o panorama idealizado na obra literária gradativamente alcançado.