Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 08/11/2022
Na década de 1950, o incentivo à indústria automobilística, promovido pelo gover-no de Juscelino Kubitschek, gerou transformações na estrutura de transporte brasi-leiro. Atualmente, tais mudanças são refletidas nos desafios enfrentados na mobili-dade urbana do país, a qual, devido às características da cultura e do sistema de lo-comoção do Brasil, encontra-se em crise. Nesse sentido, é importante analisar os propulsores dessa situação problemática.
Inicialmente, é válido destacar a cultura brasileira como fator preponderante no agravamento da crise. Isso porque, como já teorizado pelo sociólogo Max Weber, a sociedade busca prestígio social por meio, por exemplo, do estilo de vida e de fato-res econômicos. Sob essa ótica, percebe-se que a aquisição de automóveis está atrelada ao status social, haja vista que carros representam, para os brasileiros, lu-xo e conforto, o que remete a alto poder aquisitivo. Dessa forma, intensifica-se a compra de carros, fato que acarreta a sobrecarga do espaço urbano – percebido pelo inchaço no trânsito das cidades, o que dificulta a locomoção cotidiana e o flu-xo de mercadorias pelo país.
Concomitantemente, deve-se apontar as características do sistema de transporte brasileiro, principalmente a partir do governo JK, como uma das razões do proble-ma. Tal questão ocorre devido ao uso majoritário do modal rodoviário no país, o que pode ser evidenciado por dados da Confederação Nacional de Transporte, os quais mostram que essa categoria corresponde a mais de 60% da movimentação de cargas brasileiras. Assim, a dependência desse meio de locomoção faz com que haja uma grande frota de veículos de grande porte – como caminhões e carretas – suscitando, ainda mais, prejuízos na fluidez do trânsito.
Portanto, é notória a imprescindibilidade de ações que combatam os desafios da mobilidade urbana no país. Para isso, faz-se necessário que o Governo Federal in-centive o uso de modais alternativos – como metrô, ônibus e bicicletas – por meio do investimento em transporte público e em ciclovias. A partir disso, deve-se bus-car um sistema de transporte integrado, com boa qualidade e eficiência, visando, então, a estimular o uso de veículos coletivos e a reduzir a frota de carros, o que consequentemente reduzirá o saturamento do espaço urbano.