Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 09/11/2022

Zygmunt Bauman defende que “não são as coisas que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Entretanto, não é possível verificar uma reação interventiva na questão dos desafios da mobilidade urbana no país, uma vez que ainda observa-se um transtorno diário no que diz respeito à movimentação de automóveis nas grandes cidades. Nesse contexto, deve-se traçar estratégias atuando nas causas do problema: alienação da população e inércia estatal.

Em primeira análise, vale ressaltar que os indivíduos são constantemente impostos à um cenário que manipula suas mentes sem dificuldade. Sob esse viés, sabe-se que as mídias sociais, com inúmeras propagandas, possuem papel imprescindível na alienação do ser, que exposto a diversas opções de automóveis e percebendo a baixa qualidade dos transportes públicos, vê como única e melhor alternativa a compra de seu próprio carro. George Orwell diz que, “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. Sobre isso, entende-se que a alienação não permite que o cidadão enxergue as consequências que sua decisão traz a sua volta, isso porque há um sistema que o controla.

Concomitantemente, é visível que há a necessidade de melhorias no setor de transporte público por parte do Governo, que negligencia o assunto. Nesse cenário, segundo pesquisas realizadas pela Associação Nacional de Transportes Urbanos, 38,5% dos entrevistados trocaram o uso de ônibus pelo uso de carros, no entanto, mais da metade deles estariam dispostos a voltar a se locomover através dos transportes coletivos, se houvesse redução nas tarifas e melhoria na eficiência e rapidez. Dessa forma, os impactos ambientais aliviariam e as dificuldades de locomoção diminuiriam.

Portanto, percebe-se que são necessárias medidas catalisadoras para que se solucionem os desafios para a mobilidade urbana no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura, o investimento em reformas no setor de condução coletiva, a partir da destinação de verbas para que se torne mais eficiênte, além da redução no preço das tarifas e na conscientização da sociedade frente aos benefícios do uso desse meio de se deslocar. Isso a fim de que haja melhor mobilidade urbana e menos impactos para a natureza no território brasileiro.