Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 01/10/2017

Historicamente, em 1950 houve o processo de industrialização brasileira, que se associou ao uso de veículos motorizados. Nesse cenário, observou-se o desaparecimento do bonde, e o incentivo ao uso do carro. Assim, as cidades brasileiras saíram de uma mobilidade pública movida à energia elétrica, ou seja, limpa, para outra dependente de combustíveis fósseis. Logo, ainda não há ações que incentivam a redução da emissão de gases poluentes, uma vez que a economia nacional depende das indústrias automobilísticas e do comércio do petróleo.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os governantes brasileiros desde o século XX, priorizam a aquisição de veículos individuais. Diante disso, o objetivo de Washington Luís, eleito em 1926, por exemplo, era abrir estradas e incentivar a construção de rodovia e estimular à aquisição de automóveis. Nesse sentido, criou-se a cultura do carro em detrimento dos transportes coletivos, de modo que esse tipo de veículo se tornou produto-símbolo de ascensão econômica. Ademais, o transporte rodoviário continuou a ser fomentado, em 1953, com o mandato de Juscelino Kubistchek, que tinha como prioridade articular as regiões brasileiras, e assim incentivou o uso do carro em todo território nacional.    Por outro lado, na contemporaneidade, a crescente motorização individual tem elevados custos ambientais, porque, no país, ainda não há nenhuma política que viabiliza tornar os meios de transportes urbanos menos poluentes. Isso acontece, devido ao fato de que o uso de motores movidos à combustão de derivados do petróleo gera mais lucro aos cofres públicos. Desse modo, aumentou a emissão de dióxido de carbono (CO2) oriunda de carros e motos, no Brasil, cerca de 192% entre 1994 e 2014. Esse dado foi elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), e divulgado pela revista Época. Assim, percebe-se que o excesso de automóveis nas ruas é um dos principais emissores de gases do efeito estufa, que acarreta o aquecimento global.

Fica evidente, portanto, a necessidade de tornar os meios de transporte nas cidades brasileiras mais sustentáveis. Logo, cabem às prefeituras, investir em ciclovias, por meio da ampliação das existentes e construção de novas, e também, deve incentivar a população a usá-las, com o intuito de substituir os veículos automotivos. Ademais, as escolas técnicas junto com as universidades, precisam investir em estudos que visam tornar os veículos coletivos e individuais menos poluentes. Isso deve ser financiado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com a intenção de reduzir a emissão de gases que geram efeito estufa. É imprescindível também, que a mídia, por intermédio de campanhas publicitárias na televisão, induza a sociedade adotar modais de transporte que não agridem o meio ambiente.