Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/10/2017
O urbanista francês Charles Edouard, era um profundo defensor da ideia de que a organização do espaço social educa os seus ocupantes conferindo fluidez a mesma. Tal concepção, aborda um importante paradigma do mundo moderno, que é a perda da natural capacidade dinâmica de movimentação das pessoas no próprio espaço social. Nesse contexto, a desorganização social, a individualização e a ausência de políticas públicas, principalmente em grandes centros urbanos, tornou-se um dos grande problemas atuais.
Dito isso, Zygmunt Bauman, em sua obra Modernidade liquida destaca a ideia de que o indivíduo é o pior inimigo do cidadão. Com isso, o autor quis inferir exatamente um dos fatores que acometem o caos urbano atual, que é o total desvencilhamento da concepção de que os ocupantes do espaço social devem sempre buscar o bem do todo e não apenas as suas vantagens pessoais no âmbito social. Por conseguinte, as práticas individualistas numa sociedade propiciam um terreno fértil de disputa por espaço no meio urbano.
Exposto alguns dos fatores que integram a questão da cinética social, vale ainda frisar o excesso de poluição que as pessoas, principalmente das grandes metrópoles são submetidas. Segundo o Dr. Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, pessoas que residem em grandes cidades tendem a ter expectativa de vida menor, pois a grande circulação de veículos a combustão acaba dissipando pelo ar grandes concentrações de monóxido de carbono, gás que inalado prejudica o desempenho das funções vitais ao longo da vida.
Dessa forma, destarte, observa-se que é de extrema importância que as questões relacionadas à mobilidade urbana passem a ser objeto de cognição pelas autoridades públicas do Brasil. Sendo assim, o governo federal deveria promover programas de incentivo ao compartilhamento de veículos entre vizinhos e familiares — com o intuito de diminuir as lutas por espaço nas cidades e ainda despertar o sentimento de cidadania nas pessoas. Ademais, as prefeituras em aliança com o governo dos estados deveriam subsidiar investimentos em ciclovias e em ônibus do transporte público das cidades, com o objetivo de variar os modos de transporte com as bicicletas e também diminuir o trafego e a poluição com a otimização dos transportes públicos, pois segundo dados da Agência Nacional de Transportes Públicos, um só ônibus cabe 57 vezes mais pessoas que um carro.