Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/10/2017
O século XX foi um período de alto desenvolvimento para o transporte brasileiro. Por volta de 1920, iniciava-se o uso de transportes (bondes); nos anos 40 e 50, a urbanização (acelerada e desordenada) e a industrialização, incluindo automobilísticas, ganhavam impulso; e por fim, os anos 80 e 90, destacam a preferência da população pelo uso de transportes individuais. A análise desses dados permite que se compreenda com maior clareza a origem das dificuldades enfrentadas no trânsito de pessoas e veículos nos atuais centros urbanos e as graves consequências disso para com o meio ambiente, o que torna indispensável a busca urgente por medidas amenizatórias.
Para melhor dimensionamento da gravidade do problema, é importante destacar que a questão abordada ultrapassa motivos de desconforto ou retardo no transporte urbano, e atinge fatores como saúde pública e complicações ambientais. O excesso de automóveis individuais, juntamente com a concentração de indústrias e o desmatamento, contribuem com o acúmulo de gases poluentes, que, por sua vez, além de intensificar o efeito estufa e aquecimento global, relaciona-se com o surgimento de doenças respiratórias na população.
Ciente disso, em 2012 foi sancionada a Lei da Mobilidade Urbana que prevê a melhoria da locomoção urbana aliado a sustentabilidade, com base na exigência de um plano municipal com medidas que atendam a proposta. Para o planejamento foram dados três anos, no entando, menos de 8% dos locais onde a lei é aplicável enviaram um retorno, o que obrigou o adiamento do prazo para 2018.
Porém, apesar das respostas à lei não terem sido animadoras, alguns estados demonstraram avanços positivos. A capital de Mato Grosso do Sul, por exemplo, investiu em ciclovias e adotou um sistema de cartões recarregáveis obrigatórios nos transportes públicos, o que tornou o fluxo urbano mais prático e serviu de incentivo para algumas cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro que ainda não haviam apresentado uma resposta.
Com base nos dados expostos, é inquestionável que a Lei da Mobilidade Urbana necessita de melhorias de aplicação, para isso, é recomendado que a população tenha conhecimento do texto e possa agir em conjunto com os governos municipais para que se obtenha os resultados esperados. É importante também que o governo federal colabore com a distribuição de verbas e fiscalização para que os planejamentos sustentáveis sejam postos em prática.