Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 06/10/2017
Na década de 1960, o presidente Juscelino Kubitschek –o famoso JK– subsidiou a vinda da indústria automobilística e investiu no sistema rodoviário,mesmo num país de dimensões continentais, enquanto os países desenvolvidos, donos dessa tecnologia, usavam para longas distâncias o ferroviário. Hoje, a locomoção de cargas e pessoas é feita, na maior parte das vezes, por essas vias. Esse fato acarreta em diversos desafios para a mobilidade urbana no país, tais como o caos no trânsito e a carência de meios de transportes menos poluentes e com custo-benefício atraente para a população.
Em primeiro plano, a macrocefalia urbana ocorre também com a população de dirigíveis devido às facilidades dos últimos anos em adquirir um veículo. Esse fato se deve ao IPI reduzido, às possibilidades de financiamento e parcelamento, graças ao interesse econômico dos grandes empresários automobilísticos de livrarem-se do grande estoque produzido que, em 2013 chegou a quase 4 milhões, segundo o portal Estadão e caiu para o pior volume em 5 anos, no ano de 2014, quando houve um aumento da crise no país, influenciada pela política do período. Dessa forma, fica clara a dependência econômica brasileira, mesmo 50 anos após JK, dessa indústria.
Além dessa questão, outro grande problema é a falta de meios de locomoção mais econômicos e confortáveis, como o trem, o avião e o ônibus. Ainda que se tenham exemplares adequados desses meios, são poucos, no caso dos de via terrestre e caros, no de via aérea, dificultando o acesso da população. Além disso, a falta desses veículos e o descaso das concessionárias com a qualidade e a quantidade disponível, no caso de metrópoles e cidades globais como São Paulo e Rio de Janeiro, nas quais a população menos abastada vive na periferia e trabalha nas regiões centrais, faz com que muitos tenham de sair de casa até 4 horas antes do início dos turnos de trabalho, diversas vezes, em transportes superlotados. Dessa forma, esses problemas unidos à facilidade ao financiar de automóveis, gera nas pessoas a ilusão de solucionar o problema, entretanto, a utilização desses meios por menos de 2 pessoas em média, como alerta o portal O Globo, aumenta o caos no trânsito.
Em suma, para reduzir o problema, ao Ministério do Transporte cabe desenvolver o projeto “carona solidária”, uma campanha que daria descontos no IPVA ou no reabastecimento dos veículos para favorecer que colegas de trabalho, por exemplo, usem um carro para carregar até cinco pessoas aos estabelecimentos, por meio de um cadastro virtual nos postos vinculados ao projeto. Ademais, é dever das concessionárias de ônibus nas cidades, apresentarem melhor distribuição e qualidade dos veículos coletivos em proporção ao número de habitantes, em troca de isenções fiscais dadas pelo Governo Federal.