Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 06/10/2017

Superlotação.Perigo.Descaso. Essas são algumas palavras que representam bem a questão da mobilidade urbana no Brasil. Nesse sentido, os transportes públicos não oferecem segurança para seus passageiros, visto que o risco de acidentes e a violência contra as mulheres são causas dessa problemática. Dessa forma, é necessária uma discussão acerca do tema que objetive conscientização das autoridades.

Em primeiro lugar, deve-se analisar o aspecto dos sinistros ocorridos em virtude da superlotação nos ônibus. Nessa perspectiva, coletivos trafegam além da sua capacidade máxima de passageiros e além do mais, a falta de manutenção periódica também corrobora para o risco de tombamentos e capotamentos. Segundo dados da Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos(NTU), cerca de 37% da população no período de 1994 a 2016 deixaram de utilizar transporte público. A partir disso, depreende-se que a sociedade está priorizando outros meios de transportes, como por exemplo veículos particulares.

Além disso, é preciso considerar o assédio sexual contra mulheres nesses veículos. Ademais, indivíduos adentram  nos metrôs e ônibus para praticarem atos libidinosos contra vítimas do sexo feminino. Prova disso foi o fato ocorrido na cidade de São Paulo, no qual um homem ejaculou em uma moça dentro de um transporte público. Diante disso, pessoas que passam por essa situação tendem a desenvolver o que Zygmunt Bauman chamou de medo secundário, ou seja, uma sensação constante de insegurança.

Pode-se perceber, portanto, que o risco de desastres, bem como o ataque a dignidade feminina contribuem para a instabilidade do bem estar das pessoas do coletivo. Logo, o governo federal, através do ministério do meio ambiente, deve incentivar e promover a construção de ciclovias. Outrossim, a mídia, por meio do seu conteúdo publicitário, tem que estimular esse projeto com propagandas de cunho educacional abordando os benefícios da utilização de bicicletas no dia a dia.Por fim, a população precisa cobrar, por via das manifestações pacíficas, dos orgãos dos municípios e dos estados,melhor fiscalização nos transportes públicos. Pois, só assim, construir-se-á uma sociedade na qual o direito de ir e vir seja garantido a todos.