Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/10/2017

Talvez Foucault estivesse errado: no Brasil, a vigilância do Panóptico social é falha e não resolve, suficientemente, a questão da mobilidade urbana. O filósofo, possivelmente, estaria assustado com os alarmantes dados que se referem ao inchaço dos veículos individuais nos centros urbanos, enquanto a sociedade não vigia e ignora esse óbice. Essa constatação, que evidenciou o desafiante problema que atinge as cidades e seus cidadãos, diminuiu os padrões de qualidade de vida, tornando-se essencial a busca de alternativas para resolvê-la.

É importante ressaltar, em primeira análise, as causas associadas aos problemas da mobilidade urbana. Ampliando-se o sentido semântico do Panóptico, a vigilância da sociedade funciona como instrumento de controle preventivo. No entanto, a cultura de fetichização do transporte individual, notadamente no incentivo à compra de carros, aliada a um modal de transportes não diversificado, demonstra que a microfísica do poder vigilante do Panóptico de Foucault, que deveria disciplinar a sociedade e as instituições, não está funcionando porque a população ignora o problema, não cobrando um posicionamento de si mesma e do Estado. Em meio a isso, o Poder Executivo não é pressionado investir em modais diversificados e a sociedade permanece ligada à noção de status do transporte.

Ademais, é necessário citar a repercussão dos problemas da mobilidade para as cidades. Na obra ´´1984´´, de George Orwell, infere-se que expor os problemas sociais e suas consequências pode salvar a sociedade, pois abre caminho para o pensar e para as soluções. Nesse sentido, é importante dizer que a lentidão do transportes é prejudicial para a economia dos centros urbanos, pois dificulta a mobilidade de serviços, de produtos e de pessoas, prejudicando o PIB. Além disso, o óbice diminui a qualidade de vida das pessoas, que passam horas nos veículos expostas a poluição sonora e de ambiental durante o diário movimento pendular. De fatos, esses problemas precisam ser resolvidos.

Desse modo, expõe-se os desafios da mobilidade urbana. Para resolvê-los, a sociedade deve cobrar do Governo Federal o seu papel de expandir e criar novos modais de transportes, copiando a experiência de países desenvolvidos. Além disso, o MEC deve criar, nas escolas, e com regulamentação na BNCC, o projeto ´´Roda da Consciência´´, no qual, por intermédio de atividades lúdicas ministradas pelo DENATRAN, os jovens serão conscientizados acerca desse problema. Outrossim, à mídia cabe o seu papel social de transmitir campanhas de conscientização, repercutindo as ideias pensadas no projeto citado. Destarte, o Panóptico tornar-se-á consciencial.