Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/10/2017

No século XX, o automóvel surgiu como grande aliado no transporte de pessoas e bens. No entanto, esse mesmo aliado no século XX tornou-se vilão no século XXI, devido ao enorme congestionamento de tráfego, carência de infraestrutura das vias e comprometimento da sustentabilidade. Diante disso, tornam-se passíveis de discussão os desafios enfrentados, hoje, no que se refere à questão da mobilidade urbana no Brasil.

Sobre a problemática em questão, pode-se tomar como primeiro ponto a ser ressaltado o aumento dos congestionamentos de tráfego nos últimos anos. Segundo dados do IBGE e do Departamento Nacional de Trânsito, o Brasil tem mais de 200 mil carros para cada mil habitantes. Sendo assim, observa-se um maior quantitativo de automóveis particulares do que de pessoas. Uma das causas para esse impasse é o pouco investimento do Estado em transporte público com qualidade e conforto que atenda a demanda. Isso propicia uma preferência da população em se deslocar no seu próprio veículo, porém, gera, além de longos engarrafamentos, más consequências ao meio ambiente, já que o grande uso de carros libera muito CO2 para a atmosfera.

Entretanto, o problema persiste. Vale salientar, ainda, que as vias e rodovias não cresceram proporcionalmente aos carros e possuem péssimas condições. De acordo com a Confederação Nacional de Transportes, 87% das estradas são de pistas simples e 40% não têm acostamento. Para mais, é imprescindível destacar a falta de ciclofaixas na maioria das ruas, sendo de extrema necessidade a fim de amenizar o alto índice de acidentes contra ciclistas. Tendo em vista o déficit de investimento do governo na melhoria da mobilidade urbana, com mínimas criações e manutenções de estradas, ciclofaixas, calçadas para crianças e idosos, faixas de pedestres apagadas, pode-se perceber uma população, em geral, insatisfeita e com seu direito de “ir e vir” prejudicado.

Fica claro, portanto, que os desafios da mobilidade urbana brasileira são diversos e necessitam de soluções. O Poder Legislativo deve criar leis que assegure reformas nas cidades e nos transportes públicos, incluindo tarifas mais baixas, aliado a órgãos de fiscalização que atuem constantemente, para que os ciclistas, pedestres, especialmente crianças e idosos,  se locomovam com segurança nas ruas e também para que a população, principalmente, de baixa renda e estudantes, se desloquem por um menor custo. O setor de urbanismo dos governos municipais precisam fornecer incentivos fiscais com a finalidade de que seja colocada em prática novos projetos de planejamento urbano, facilitando o acesso dos cidadãos brasileiros à cultura, educação e lazer. Por conseguinte, o Brasil será uma nação mais segura, flexível e mais sustentável, considerando o fato de que número de veículos nas ruas diminuirá.