Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 13/10/2017
Se nas propagandas veiculadas diariamente, os automóveis estão sempre associados a pessoas bem sucedidas e felizes, com liberdade para visitar lugares exóticos com mulheres lindas, a realidade mostra outra face bem distinta. Todos os dias, milhões de pessoas, que moram nos grandes centros urbanos passam horas em engarrafamentos gigantescos, que consomem horas de seu dia. Este fenômeno vem causando transtornos ambientais e psicológicos, que demandam soluções urgentes e que sejam sustentáveis a longo prazo. O que deveria ser um símbolo de liberdade se tornou uma prisão.
Possuir um automóvel sempre significou um símbolo de realização pessoal, de ser bem sucedido e moderno, tal qual se vê nas peças publicitárias, Este apelo é particularmente forte junto a uma classe média ávida por consumir. Parafraseando o poeta Fernando Pessoa Consumir é preciso, viver não é preciso. Não é por outra razão que governos que traziam a ideia de modernizar o país sempre apostaram na indústria automobilística, como símbolo de uma modernidade a qual todos deveriam querer pertencer. O governo de Fernando Collor ,por exemplo,, comparando a frota nacional a carroças no início dos anos 90, buscou facilitar o acesso a automóveis importados. Contudo, quase nada foi pensado em termos de mobilidade urbana, tornando a situação insuportável. As malhas viárias já não suportam a frota de veículos que continua crescendo a cada dia e, os problemas, como a poluição de ar e sonora só se agravam. Com isso, chuva ácida e inversão térmica já estão na ordem do dia.
Mas os danos não se restringem ao aspecto ambiental, e já afetam a cada um em particular. O desgaste psicológico e físico decorrente de horas de engarrafamento já afetam as pessoas. A falta de tempo para o lazer com a família, para a prática de atividades, para uma vida mais saudável e feliz acarreta transtornos que já se manifestam nos índices crescentes de problemas psicológicos como depressão e ansiedade, além de problemas físicos decorrentes deste modo de vida, sedentário, carregado de stress, no qual se vive todos os dias sem se dar conta.
Neste sentido, medidas devem ser tomadas para solucionar o problema. Desta feita, as prefeituras, através de suas Secretarias de Transporte devem buscar parcerias com empresas privadas para viabilizar modais alternativos de transporte público, como trens e metrô, que possam levar as pessoas de um lado a outro na cidade em um tempo razoável, e com qualidade de acesso. Já as Secretarias estaduais e municipais de educação, por sua vez, devem implementar aulas de cidadania desde as séries iniciais, com professores formados em filosofia ou sociologia, de forma a despertar uma consciência crítica a um consumismo sem limites.