Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 21/08/2023

De acordo com o filósofo Francis Bacon, “O homem deve criar oportunidades e não somente encontrá-las”. Sob esse viés, a crítica de Francis é verificada na questão dos desafios da mobilidade urbana, uma vez que o excesso de veículos na sociedade, ocasionado pelo individualismo, impede a fácil locomoção dos indivíduos. Nesse sentido, observa-se um delicado problema com contornos específicos, o silenciamento e a lógica capitalista.

Dessa forma, em primeira análise, a falta de debate é um desafio presente na problemática. Isaac Newton explica com a sua criação da Lei de Inércia que um objeto tende a ficar em repouso até que uma força seja aplicada sobre ele. Indubitavelmente, há presente na sociedade a negligenciação das condições dos indivíduos que sofrem com a superlotação, preços altos e falta de manutenção dos transportes, visto que pouco se fala sobre a pauta nas escolas e mídias de massas, concebendo a desinformação da maioria dos brasileiros. Assim, urge tirar essa situação da inércia para atuar sobre ela, como defende o cientista.

Em paralelo, a priorização de interesses financeiros é um entrave no que tange ao problema. Inquestionavelmente, para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida na questão em destaque, visto que devido a falta de planejamento estratégico, falta de investimento e aumento de inflações, visando postergar gastos e tempo, a mobilidade urbana se torna algo desprezado. Sendo assim, inverter a lógica e colocar os direitos humanos em primeiro lugar é urgente.

Dessarte, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, o Poder Público deve investir em informação sobre esses desafios no meio urbano, por meio da destinação de verbas, a fim de reverter a supremacia de interesses mercadológicos. Ademais, o Ministério de Transportes deve promover a fiscalização nos veículos coletivos, a criação de ciclovias em áreas estratégicas e um replanejamento urbano em áreas de grande movimentação. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas mídias de massa para que a população tome conhecimento. Paralelamente, é preciso intervir no silenciamento presente no problema. Dessa maneira, o Brasil poderá ter menos “acomodados”, como aponta Francis.