Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/08/2023

Desde que o governo de Juscelino Kubitschek introduziu incentivos para expandir a política rodoviária, o Brasil vive uma valorização inflada do automóvel, o que acaba gerando problemas no trânsito urbano, pois o excesso de veículos impede a fácil locomoção dos indivíduos. Esta situação destaca a má reputação financeira do transporte público, o subinvestimento no transporte público e na estrutura do deslocamento pedestre; e a promoção do carro como um provedor de bom status

Em primeiro lugar, o pequeno tamanho da rede metropolitana brasileira pode ser visto como um dos fatores que incentivam a compra do carro para o transporte urbano, já que as linhas são escassas, os trens são desconfortáveis ​​e antiquados e as opções de transporte nas grandes cidades são poucas. A falta de investimento afeta também os autocarros, que circulam de forma errática, e os passeios, que pelo seu desnível representam perigo para deficientes, idosos e outras pessoas com mobilidade reduzida. Assim, para conforto e segurança, as pessoas recorrem aos carros e, segundo o Observatório Metropolitano, o número de carros dobrou na última década.

Não é incomum, portanto, que cidadãos se endividem para adquirir transporte pessoal, tanto para suprir a necessidade de deslocamento quanto para assegurar-se o status por ele adquirido. A noção de luxo que perdura no imaginário popular ainda tem muito a ver com as ideias expressas pelo governo JK diante da supervalorização do transporte pessoal - viabilizador do impulso da Companhia Automobilística Brasileira. No entanto, os resultados ainda podem ser vistos hoje, nos longos engarrafamentos na hora do rush. Segundo O Globo, os paulistas passam em média 45 dias por ano presos no trânsito, outro indício da má qualidade de vida na cidade devido ao trânsito precário.