Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 08/10/2017

Durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. houve uma grande valorização da indústria automobilística, com o objetivo de tornar o Brasil mais desenvolvido e urbanizado. Como consequência, no século XXI, os transportes rodoviários são maioria no país e isso, somado à falta de planejamento e infraestrutura das cidades para comportar uma crescente frota de veículos, têm prejudicado a mobilidade urbana. Para sanar o problema, é importante haver mudanças, também, nos quesitos educação e segurança.

Primeiramente, é possível relacionar a péssima mobilidade a um aspecto cultural. Isso porque os brasileiros possuem uma concepção de sucesso diretamente relacionada à aquisição de bens materiais, como roupas de marca, joias e carros, como é explicitado em diversas letras de música do chamado “funk ostentação”. Dessa forma, surge uma cultura do automóvel que contribui para a ocorrência de engarrafamentos à medida em que cresce o número de veículos novos em circulação todos os anos. Em São Paulo, por exemplo, esse número passa de 200 mil, segundo dados do Detran (Departamento de Trânsito).

Outrossim, a falta de segurança também é um empecilho. Na Holanda, o número de bicicletas ultrapassa em 2,5 o de carros e o país é completamente modificado por essa demanda, com a existência de ciclovias, ciclofaixas e sinalizações. No Brasil, por outro lado, além da falta de infraestrutura, observa-se uma insegurança que afeta ciclistas e pessoas que frequentam coletivos. Além de inúmeros casos de assaltos e assédios em ônibus, pessoas que dependem de bicicletas também estão expostas ao perigo da proximidade com carros e inexistência de faixas exclusivas a eles. Assim, muitos indivíduos dão prioridade ao uso do automóvel como forma de preservar a vida e, por isso, transportes alternativos, como os de cidades holandesas, tornam-se inviáveis no Brasil sem  antes haver mudanças estruturais significativas.

Fica evidente, portanto, a importância de otimizar a mobilidade urbana das cidades brasileiras a partir de investimentos em infraestruturas e em segurança pública. Para isso, o Poder Público deve fomentar o policiamento nas ruas, bem como aumentar o número de transportes coletivos, de preferência não rodoviários, para evitar a formação de novos engarrafamentos, além de promover a construção de ciclovias e faixas exclusivas a coletivos, com o fito de impedir superlotações e aumentar a segurança nesses ambientes. Somado a isso, a mídia pode ser utilizada como meio para otimizar a mobilidade, a partir de aplicativos de caronas e de informações sobre rotas e horários, a fim de desestimular o uso de transportes individuais.