Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2017

Para o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é comparada a um organismo: a saúde do todo depende do bom funcionamento das partes. Nesse contexto, a moléstia que afeta hodiernamente o território brasileiro encontra-se impregnada nos sistemas de mobilidade urbana, e tem contribuído negativamente para a economia do país e qualidade de vida da população.

Em junho de 2013, alastrou-se pelo Brasil uma onda de protestos devido o aumento do valor das passagens do transporte público. Mas, as manifestações não se restringiram a isso: superlotação e falta de manutenção nos terminais e estações estavam entre as principais reclamações, demonstrando, assim, a urgência de um sistema de locomoção limpo, seguro e de qualidade.

Ainda sob esse ângulo, de modo a suprir as necessidades que o transporte público é incapaz de compensar, a população acaba recorrendo aos automóveis. Além disso, visto como mais do que mera necessidade, o carro é, atualmente, símbolo de status; sob essa ótica, os incentivos e a baixa de tarifas têm contribuído para a persistência desse pensamento que coloca o automóvel como sinônimo de ascensão social e, consequentemente, cooperam para o inchaço automobilístico, condição que agrava a poluição atmosférica, além de tornar mais constante os problemas como engarrafamentos, lentidão e estresse.

Por conseguinte, visto a falta da estrutura modal, acabam-se esvaindo as chances de ampliação de empreendimentos nas terras brasilienses. Tendo em vista a preocupação das empresas acerca da infraestrutura de transporte no local de seus negócios, pode-se afirmar que a falta de investimentos em mobilidade urbana na região torna-a menos atraente para as companhias, visto que serão maiores as  dificuldades com a logística de seus produtos e com o deslocamento de seus funcionários. Dessa maneira, diminuem-se os estabelecimentos, reduzem-se as receitas com impostos e aumenta o desemprego, afetando, assim, a economia e a população em geral.

Infere-se, portanto, que, para que haja melhoria nos sistemas de locomoção urbana, há entraves que necessitam ser revertidos. Para isso, cabe ao Estado negociar com empresas privadas concessões de terminais e estações de ônibus e metrôs, de modo a melhorar a gestão dos serviços prestados a população. Essa ação, também, deve ser divulgada pelos meios midiáticos de modo a estimular  a população a utilizar mais os transportes públicos, a fim de diminuir o inchaço automobilístico das rodovias.  Ademais, as universidades devem promover, financiadas pelo terceiro setor, projetos de pesquisa que busquem soluções para a logística atual das empresas privadas e estatais, visando menos desperdícios para as empresas e maiores benefícios, diretos ou indiretos, para toda a região.