Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/10/2017

As rodovias são atualmente as principais formas de transporte de cargas e pessoas. Herança de uma política rodoviarista para atrair as indústrias automobilísticas principalmente na década de 50, essas apresentam um problema estrutural e social: a mobilidade urbana. O desafio é o direito a cidades cada vez mais inclusivas e menos inclusivas, em que os carros deem lugar aos cidadãos na ocupação dos espaços. O aumento populacional disparou na década de 50, com o desenvolvimento industrial, de 51 milhões para cerca de 207 milhões de habitantes atualmente, segundo dados do IBGE. Notoriamente, as políticas de planejamento urbano e infraestrutura não acompanharam o ritmo do crescimento demográfico, tendo como consequência cidades mal planejadas. O poder de compra do brasileiro aumentou e o governo ofereceu incentivos para a aquisição de automóveis, tais quais os impostos reduzidos. Esses acontecimentos foram fatais para a eficaz dinâmica de locomoção dos cidadãos, além disso, os maus serviços prestados pelas empresas de transporte público geram a prioridade em adquirir um carro particular. Horas no trânsito, emissão de gases poluentes e desgaste físico e emocional são consequências dessa falta de planejamento. O Brasil é um país que oferece formas alternativas de transporte como, hidroviário e ferroviário, pouco explorado e em declínio, respectivamente, para o transporte de pessoas. Uma cidade inclusiva e humanizada ideal é aquela em que é possível exercer o direito de ir e vir eficazmente. Para tanto, o governo federal em parceria com os governos estaduais poderia desenvolver um projeto nacional de fomento dos transportes hidroviários, já que há muitas cidades com acesso ao mar e/ou a rios. Um polo industrial para construção das embarcações e incentivos às empresas regionais para manutenções dessas geraria empregos. Além disso, um sistema unificado em que fosse possível o acesso interestadual. Essas medidas, certamente, diminuíram os focos das rodovias e dariam maior mobilidade eficaz à população.