Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 11/10/2017
No século XX, Juscelino Kubitschek, com seu Plano de Metas, proporcionou um grande investimento na infraestrutura rodoviária brasileira. De fato, essas medidas foram fundamentais para a integração e industrialização das regiões Centro-oeste e Nordeste. Todavia, hodiernamente, a falta de mobilidade urbana transformou-se em uma problemática relevante para as autoridades governamentais. Seja pelo deficitário transporte coletivo, seja pelo fetichismo automobilístico, manifesta-se, na sociedade, um cenário desafiador no que tange ao assunto em pauta.
Em uma primeira análise, cabe pontuar o desconforto e a falta de segurança dos veículos coletivos como fatores que comprometem a livre circulação de indivíduos nas cidades. Na cidade de São Paulo, por exemplo, em horários de grande movimentação, os metrôs costumam andar com o dobro da capacidade de pessoas. Alem disso, é imperioso sobrelevar os altos índices de violência urbana, os quais refletem nos constantes assaltos evidenciados nos meios públicos de transporte, estes, por sua vez, são muito recorrentes nas mídias televisivas. Com efeito, é extremamente expectável que a população a qual pode arcar com as despesas de um automóvel, venha adquiri-lo, contribuindo para o aumento do número de carros em trânsito e o consequente inchaço urbano.
Ademais, convém frisar que uma cultura capitalista, intrínseca à sociedade brasileira, corrobora com a hipervalorização social do automóvel, perpetuando, assim, a problemática. Nessa conjectura, o filósofo Karl Marx afirma, em sua obra “O Capital”, que a mercadoria, no sistema capitalista, transcende o seu valor real, adquirindo um imensurável valor ideológico, o qual ele denomina como fetichismo. Dessarte, na sociedade contemporânea, o carro deixou de ser um simples meio de transporte e passou a promover o empoderamento social do indivíduo, o que pode-se constatar nas letras dos denominados “funk ostentação” bastante populares no Brasil. Por conseguinte, toda essa infraestrutura econômica e social acarreta na falta de mobilidade urbana pelo excesso de tráfego automobilístico.
Em virtude do que foi mencionado, impõem-se medidas que vão de encontro ao impasse em vigor. Maximamente, o Ministério dos Transportes, em parceria com os Governos Estaduais, deve reservar uma parcela da verba pública para aumentar a frota de metrôs, tais como a segurança nos meios de transporte coletivos com a implementação de guardas públicos nos ônibus. Outrossim, o Ministério da Educação deve estimular o pensamento coletivo na população, por meio de palestras e campanhas nas mídias sociais, incentivando a prática de atitudes que visam o bem do todo em detrimento do individuo, como dar preferência aos meios de transporte coletivo. Só assim, o país poder-se-á superar a falta de mobilidade urbana, garantindo a livre circulação de indivíduos na cidade.