Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 12/10/2017

Ecos do passado

A revolta do vintém, no século XIX, e as manifestações de 2013 traçam um paralelo interessante. Esses dois movimentos populares demonstraram a importância do transporte público para o povo brasileiro. Entretanto, como mostram as mobilizações mais recentes, as dificuldades na mobilidade urbana brasileira não foram solucionadas. Nesse sentido, o direito de ir e vir no Brasil fica comprometido, visto que a eficiência dos meios de transporte é deficitária, devido à saturação da vias urbanas e à baixa qualidade da infraestrutura de transportes.

Em primeiro plano, a superutilização de rodovias leva a problemas na mobilidade urbana. Nesse sentido, desde JK, que instituiu o rodoviarismo como hegemonia no Brasil, o transporte por meio de carros é incentivado de forma intensa. Entretanto, não se analisou que, devido ao aumento do contingente populacional, as vias urbanas atingiriam o ponto de saturação. Esse problema é evidente, por exemplo, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que possuem engarrafamentos quilométricos.

Cabe ressaltar, também, que o transporte público brasileiro é de baixa qualidade. De fato, ônibus e metrôs deveriam ser as melhores alternativas para se movimentar dentro da cidade, devido ao dinamismo e ao baixo custo. Entretanto, não é difícil ver ônibus depredados e trens imundos no cotidiano do brasileiro. Infelizmente, pessoas mais pobres, que não têm condições de comprar um carro, acabam tendo que se sujeitar com mais frequência a essas condições deploráveis.

Torna-se evidente, portanto, que a condição precária do transporte público e o excesso de uso das vias urbanas são empecilhos à mobilidade nas cidades brasileiras. Para solucionar essa problemática, medidas são necessárias. Nesse sentido, as Secretarias de Transporte devem, com o dinheiro do IPVA, investir em intermodalização, ou seja, precisam construir ciclovias e ferrovias, a fim de diminuir a saturação das rodovias urbanas. Além disso, as empresas licenciadas de transporte devem criar canais de atendimento ao cliente, como números telefônicos e postos físicos, que acatem denúncias de más condições de serviço, com a finalidade de corrigir essas irregularidades de forma eficaz. Apenas assim, as mobilizações de 2013 poderão ser o ultimo eco do histórico descaso com a mobilidade no Brasil.