Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 12/10/2017
Após duas décadas de Ditadura Militar, foi promulgado no Brasil a Constituição Cidadã em 1988, que assegurou o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos. No entanto, a vigente falta de mobilidade urbana representa um paradoxo nacional que vai de encontro com o direito de livre circulação dos indivíduos. Nesse sentido, é preciso entender as verdadeiras causas desse problema para solucioná-lo.
A princípio, é perceptível que políticas desenvolvimentistas do século XX colaboraram com a atual escassez de opções de transporte. O Plano de Metas de Jucelino, por exemplo, instigou a consolidação do modelo rodoviário por meio da abertura nacional ao capital extrangeiro. Dito isso, essa atitude fez com que outros modelos de transporte se desenvolvessem pouco, o que torna o Brasil um país dependente desse modal.
Outrossim, vale ressaltar que a ideologia capitalista global corrobora com essa situação. A atual fase de globalização prega uma “modernidade líquida”, teorizada pelo sociólogo Bauman, que consiste no consumo massivo de mercadorias ditas como essenciais à vida dos indivíduos. Sob essa ótica, a compra em demasia de automóveis acarreta em grandes congestionamentos nas rodovias nacionais, as quais impedem, dessa forma, a prática da livre circulação nas cidades.
Torna-se evidente, portanto, que a falta de mobilidade urbana apresenta entraves que precisam ser revertidos. A par disso, cabe ao Executivo, em uma Parceria Público-Privada (PPP), construir modais ferroviários e hidroviários com o fito de descongestionar as ruas. Além disso, cabe à escola, junto à mídia e a ONGs, fomentar um pensamento geral que valorize vias alternativas, como as ciclovias e as calçadas, por intermédio de pesquisas, trabalhos e projetos. Com essas medidas, poder-se-á garantir os direitos constitucionais de livre circulação aos cidadãos brasileiros.