Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/09/2023
O documentário “Como os holandeses conseguiram suas ciclovias?” relata como o investimento em ciclovias e em transporte alternativo foi extremamente importante para promover a tranquilidade no trânsito. De maneira análoga ao Brasil, a questão da mobilidade urbana é um desafio. Isso se deve, sobretudo, a falhas governamentais e à falta de planejamento estratégico.
Em primeiro lugar, é válido salientar o descaso estatal, como agente que corrobora os congestionamentos urbanos. Neste contexto, fica evidente a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas, tais como a melhoria no transporte público para combater o engarrafamento nas ruas. Segundo as ideias do filósofo John Locke, essa circunstância configura-se como uma ruptura do “contrato social”, visto que o Estado, mediante a má distribuição dos recursos públicos, não cumpre a sua função de oferecer um trânsito tranquilo a todos os cidadãos.
Outrossim, o mau planejamento urbano é um promotor da não mobilidade urbana no Brasil. Tristemente, a existência dessa conjuntura é reflexo do êxodo rural, em que um grande número de pessoas deixou o campo, ocasionando um crescimento desordenado nas cidades. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), cerca de 30% da população agrária deixou a zona rural entre 1970 e 1980. Nesse sentido, o planejamento de muitas cidades não foi possível, uma vez que já estavam habitadas. Por conseguinte, os locais improvisados que surgiram não têm infraestrutura adequada e não atendem às demandas dos moradores.
Portanto, é preciso aplacar esse impasse. Logo, urge que o DENATRAN, como responsável pelo bem-estar do trânsito, por meio do dinheiro arrecadado das multas, invista na manutenção de rodovias e ciclovias. Além disso, disponibilize novos transportes alternativos para os locais que tenham um grande fluxo de pessoas, a fim de que a questão da locomoção seja resolvida. A partir dessas ações, poderá ser consolidado um Brasil menos desestruturado e mais idealizado.