Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/10/2017
O conceito de mobilidade urbana engloba várias vertentes do estudo sobre a formação de uma sociedade. Por esse viés, o modelo rodoviarista de J.K, na década de 1960, e o crescimento não planejado das metrópoles brasileiras evidenciaram ainda mais problemas sociais e de infraestrutura no Brasil. Isso reflete-se no individualismo contemporâneo e nas ruas do país.
A princípio, a segregação socioeconômica reforça barreiras não apenas culturais e intelectuais, mas, também, espaciais. Dessa maneira, criou-se a ideia de que transporte público é para pobre e que o carro particular é uma meio de alcançar status. A consequência disso é o aumento do número de automóveis em circulação em direta proporcionalidade ao tempo de deslocamento. Ademais, a inábil logística por trás das concessões entre o Governo e a iniciativa privada gera insatisfações relacionadas a aspectos qualitativos do trajeto e custo das passagens.
Por outro lado, nações desenvolvidas que já passaram pelo mesmo processo conseguiram atenuar a situação. O Japão, por exemplo, investiu em tecnologia e implementou uma linha de trens-bala. Além de proporcionar conforto e menos poluição, reduziu o tempo de viagem entre Tóquio e Osaka. A França, por sua vez, incentivou o crescimento de cidades médias, objetivando desafogar o inchaço populacional na metrópole parisiense e diminuir a migração pendular.
De volta ao Brasil, as ruas são um um desafio diário para pedestres e ciclistas. Em uma pesquisa divulgada pelo jornal Estadão, de doze capitais brasileiras avaliadas, nenhuma apresentava calçadas satisfatoriamente transitáveis em seus pontos de maior movimento. Tal resultado salienta as dificuldades enfrentadas pelos deficientes físicos e visuais, além dos simples pedestres, os quais ficam sujeitos a graves acidentes. Quem opta pelos veículos não motorizados sofre com a incipiência das vias exclusivas, que, aos poucos, ganham espaço.
Com essas constatações, portanto, ratifica-se que o crescimento brasileiro não foi bem organizado e que medidas precisam ser tomadas. Destarte, as empresas de ônibus devem buscar maior rentabilidade por meio de publicidade, a fim de investir melhor na infraestrutura de suas frotas. Cabe ao Governo Federal, inicialmente, subsidiar 10% do valor das passagens, diminuindo o preço pago diretamente pelo serviço. É importante, também, a União utilizar o mecanismo de incentivo fiscal. Assim, oferecê-lo aos civis e pessoas jurídicas que situam-se nos grandes centros com o intuito de melhorar o estado das calçadas e assegurar a integridade física dos cidadãos. No que tange ao urbanismo, dever-se-á criar um projeto que vise, a longo prazo, a realocação da concentração industrial, o que solubilizará a atual problemática.