Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/10/2017

A questão da mobilidade urbana no Brasil é um desafio que tem preocupado até os melhores especialistas em planejamento urbano. O bônus trazido pela melhoria econômica de 2008 à 2013 também trouxe o ônus do aumento de veículos nas cidades. Em consequência, a fluidez do trânsito, que já não era das melhores, piorou. Investir em transporte coletivo de massa e, até mesmo, em novas estratégias de planejamento urbano parecem ser boas saídas para o caos que já está instalado. Um país, como o Brasil, que pretende voar alto deve ser capaz de resolver seus problemas de mobilidade urbana antes que este seja um fator limitante para o seu próprio crescimento.

Antes de tudo, é necessário perceber que o aumento de veículos nas cidades também está relacionado ao aumento das interações entre as pessoas, especialmente, nos setores de comércio e serviços. Assim, mais pessoas têm necessidade de sair de casa para trabalhar, comprar produtos, consumir serviços, etc… tudo isso acaba refletindo no trânsito. A estratégia para reverter o problema não está, necessariamente, no desaquecimento da economia, mas sim, na redistribuição da demanda para fora dos horários de pico ou, até mesmo, na implementação de teletrabalho nas empresas.

Além disso, o investimento em transporte coletivo também pode ser uma boa saída. Conforme levantamento do SINDÔNIBUS, enquanto um ônibus, ocupa o equivalente a 2 carros, consegue transportar 80 pessoas, o mesmo número de pessoas é transportado por cerca de 57 carros. Entretanto, é necessário que o transporte coletivo seja mais atraente (ou, pelo menos, igual) à praticidade e conforto proporcionado pelo carro. Afinal, ninguém gosta de esperar horas e horas para pegar um ônibus velho, quente, lotado e que ainda deixe o passageiro longe do destino.

Fica claro, portanto, que há meios para mitigar o problema da mobilidade urbana. Porém, é necessário que as Secretarias de Transporte dos Estados e Municípios invistam na qualidade do transporte público de massa, como ônibus, micro-ônibus, trem e metrô. É necessário que haja o barateamento das passagens, melhoria do conforto (veículos novos, limpos e com ar condicionado) e aumento da oferta de linhas de transporte, com integração entre os diversos tipos modais e capilaridade dentro de barros e centros urbanos. Além disso, o Congresso Nacional pode criar uma lei que, por meio de incentivos fiscais, motivem as empresas a investirem no trabalho remoto de seus funcionários ou que modifiquem o horário de trabalho para fora do horário de pico. Desta forma, o Brasil poderá deixar para trás um provável voo de galinha para alçar novos e altos voos, pelo menos em termos de mobilidade urbana.