Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/10/2017

“Mesmo no engarrafamento eu não vou me aborrecer.” O samba de Jõao Só, em paralelo com o dia 23 de maio de 2014 que ficou marcado com um recorde negativo da mobilidade urbana brasileira, 344 km de lentidão na maior metropóle do país. Nessa perspectiva, esses exemplos são o retrato da situação caótica enfrentado pelos moradores da capital paulistas e de tantas outras cidades do Brasil, nas quais a construção socioespacial e a falta de políticas públicas, prejudicam o direito de ir e vir da população e a locomoção se transforma em um processo longo e desgastante.

Antes de tudo, ao avaliar a herança  rodoviarista do país por um prisma estritamente histórico, nota-se consequêncas na atualidade. Desde a Era Vargas e passando por JK, o Brasil investiu pesado na ultilização em meios de transporte terrestres, principalmente no que diz a repeito a veículos automotores. Por consequência disso, muitas outras possibilidades mais baratas e menos poluentes como o aquaviário, foram deixadas de lado. Podemos dizer ainda, que o vestiginoso processo de urbanização acelerado que a sociedade passou no século XX, motivado pelo exôdo rual, corroborou para uma inadequada ocupação das cidades, juntamente com o processo de gentrificação, fazendo com que a população tenha que se deslocar de longas distâncias diramente, para diversos fins.

Sob essa conjectura, ainda é possível salientar,  que o Brasil possui  graves problemas estruturais na área. Nesse contexto, a precariedade de ciclovias e paráfraseando o sociólogo Zygmunt Bauman " Na sociedade contemporânea, os motoristas são treinados desde a infância a viver com pressa", assim não respeitando aqueles que tentam usar a bicicleta como meio de transporte mais barato e de baixo impacto ambiental para se locomover. Nesse viês, também é importante deixar claro que, segundo estimativas do Governo, é preciso investir cerca de 235 bilhões no transporte público para que esse atinja uma qualidade aceitável, uma vez que a situação atual do mesmo leva o indivíduo a optar por transportes individuais ao sairem de casa.

Torna-se evidente, portanto, que a mobilidade urbana no Brasil apresenta entraves que necessitam ser revertidas. Da parte estatal, com subsídios, criarem projetos que viabilizem a criação de ciclovias e investimento em transportes multimodais, além de promover  campanhas e eventos plurissignificativos , afim de incentivas o corpo social a ultilizar meios de transportes coletivos como ônibus, caronas solidárias ou bicicletas compartilhadas, assim garantindo o bem comum do cidadão. É imperativo ainda, que o indivíduo seja favorável as recomendações estatais e participe de debates, por intermédio de fóruns para se manter na cobrança de melhorias na cidade. Somente assim, tirando as pedras do meio do caminho, dias como 23 de maio de 2014 ficarão apenas nos livros de histórias.