Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 20/10/2017
Ao fazer uma analogia do poema de Drummond “No meio do caminho” pode-se afirmar que, o transito constante, aliado à falta de acessibilidade nas grandes cidades, tem sido pedras no meio do caminho da mobilidade da população urbana. Sob esse viés, fatores econômicos, culturais e políticos perpetuam a problemática e afetam diretamente a qualidade de vida dos residentes.
Primordialmente, o excesso de veículos particulares vem sendo o motor principal da ocorrência diária de longos congestionamentos. A baixa qualidade do transporte público, somada aos estímulos do governo federal que facilitam a compra de carros e, multiplicada pela cultura automóvel como status social muito difundida durante o governo JK, resulta no aumento da quantidade de cidadãos que optam pelo veículo próprio. Assim, não só há o crescimento da poluição nos centros urbanos mas também cada vez mais horas são gastas em locomoção, devido a grande quantidade de automóveis nas ruas.
Além disso, diversos centros urbanos ainda possuem obstáculos que impedem o acesso amplo e democrático à cidade. Desafios como a ausência de rampas de acesso, calçadas degradadas e transportes públicos sem plataformas, enfrentados diariamente por pessoas com algum tipo de deficiência, gestantes e idosos, revelam que as políticas publicas brasileiras de acessibilidade seguem um rumo contrário ao que Aristóteles dizia, sobre tratar desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade, ou seja, proporcionar a igualdade aos distintos de acordo com suas necessidades. Como resultado, o direito de ir e vir deste segmento da população torna-se limitado, causando à transitabilidade dos mesmos, elemento essencial da mobilidade urbana, uma estagnação.
Fica evidente, portanto, que a locomobilidade urbana ainda encontra diferentes contrariedades sendo necessário a adoção de medidas para resolver tais questões. É imprescindível que o Ministério de Transporte redirecione recursos para a infraestrutura do transporte público, melhoramento e amplificação da malha metroviária e linhas de ônibus, a fim de tornar-los uma opção mais vantajosa quando comparada ao veículo particular. Cabe ao Ministério da Cidade, em parceria com a mídia, a promoção de campanhas que estimulem o uso de bicicletas como alternativa para locomoção, visto que, além de serem sustentáveis, não acentuam a ocorrência de congestionamentos. Outrossim, é fundamental que o Estado garanta a total aplicação da Lei Brasileira de Inclusão, assegurando a acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Só assim, tratando as causas, será possível atenuar esta problemática.