Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 13/10/2017

No Governo de Jucelino Kubitschek, a população brasileira viveu uma política de incentivo à vinda de montadoras de veículos e à compra desses. Nesse contexto, a sociedade foi encaminhada ao uso indiscriminado dos automotores, o que resultou seu excesso nas rodovias e, principalmente, no perímetro urbano. Nesse ínterim, o inchaço veicular das cidades é decorrente da falta de circulação e organização do trânsito, promovendo o desafio que é a mobilidade urbana e os malefícios que esse problema causa à cidade como um todo - seja pelo ineficaz transporte público, seja pela falta de apoio a meios alternativos de locomoção.

A circulação nas metrópoles prejudica o cotidiano populacional, em razão do estresse dos congestionamentos e da precariedade do transporte público. Nessa perspectiva, ressalta-se o fato de que o número de automóveis nas cidades aumentou, consideravelmente, nos últimos anos, de acordo com o site: “mundoeducacao.bol.uol.com.br”, e a possível causa para tanto é que os meios municipais de locomoção são de má qualidade e obsoletos, além de não oferecerem vagas suficientes aos usuários. Dessa forma, o deslocamento via ônibus ou metrô diminuiria o inchaço das vias, pois várias pessoas fariam seu uso de maneira coletiva, evitando que vários carros ou motocicletas fossem ao trânsito com a condução individual.

Ademais, os meios alternativos de locomoção, como a caminhada e a bicicleta, são medidas sustentáveis e que não prejudicam a circulação das cidades. Contudo, essas formas de transporte não são asseguradas de forma correta, devido a falta de ciclovias suficientes e calçadas adequadas - o que contextualiza a tese de Maquiavel de que os fins são justificados pelos meios, uma vez que a infraestrutura urbana sem qualidade é o motivo que explica a finalidade do uso de automóveis. Assim, faz-se necessário aprimorar as condições urbanas para reduzir os automotores nas vias, e incrementar o número de ciclistas e a locomoção a pé.

Infere-se, portanto, que o desafiante ir e vir em questão nas cidades brasileiras necessita de cuidados e mudanças estruturais. A fim de alterar o cenário do transporte coletivo, seria viável que o Governo Federal promovesse incentivo fiscal na compra de ônibus às empresas, para que elas próprias possam oferecer o transporte coletivo aos funcionários, e, assim, reduzir o número de veículos nas ruas. Além disso, o Poder Legislativo poderia sancionar uma lei que regulamentasse a estrutura viária das cidades, de forma a padronizar as ruas, as ciclovias e as calçadas, possibilitando que haja uma estrutura adequada das mesmas em todos os municípios. Mediante essas alterações, os resquícios da política rodoviarista de JK seriam reduzidos, e o deslocamento urbano poderia fluir eficientemente.