Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 15/10/2017
Aristóteles, filósofo grego, define que o bom governante é aquele o qual sobrepõe interesses públicos aos, privados. Todavia, esse princípio, muitas vezes, não é observado dentro do Brasil, sobretudo no trato frente a questão da mobilidade urbana. Desse modo, visto a má gestão estatal e elementos culturais, percebe-se no país entraves estruturais que precisam ser repensados.
Primeiramente, deve-se pontuar déficits governamentais na administração do transporte público. Nesse sentido, a visão aristotélica é contrastada quando, em muitos casos atores do Estado não só tem pouca vontade política em diversificar e aprimorar os modais coletivos, mas também cedem o monopólio desse setor a empresas mediante ao repasse de propina, em detrimento da qualidade do serviço prestado. Dessa forma, tanto há expansão irrisória do número de ciclovias, linhas de trem e metrô, quanto o sucateio das opções de locomoção disponíveis, principalmente os ônibus, prejudicando o direito de ir e vir do cidadão.
Ademais, é preciso ressaltar o papel cultural do carro na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, o automóvel, pautado em modelos industriais altamente influentes na história- casos do fordismo, toyotismo e volvismo- teve sua imagética construída tal qual símbolo de ascensão social. Desse maneira, o estímulo midiático constante para adquirir esse item, a fim de consolidar uma afirmação social e status, provoca um aumento constante da frota de veículos, crescente a qual, por vezes, é além do que a infraestrutura urbana pode comportar. O resultado é o inchaço de ruas, avenidas e congestionamentos quilométricos, prejudicando diretamente a circulação de muitos brasileiros.
A nação, portanto, vive um quadro caótico que precisa ser revertido. Logo, é essencial que o Ministério dos Transportes, junto a União, aprimore a gerencia dos modais públicos. Tal ação pode ser feita por meio da expansão de linhas de metrô e trem, delegação de licitações a empresas que prezem primordialmente pela qualidade do serviço prestado a população, construção de ciclovias e apuração de casos de corrupção e má administração. Desse modo, no intuito de aprimorar a eficiência do transporte público, diversificar os modais de circulação e maximizar a utilização dos transportes de massa ,em contrapartida do automóvel, assim, diminuindo os congestionamentos, instaurar uma locomoção eficiente e valorizar o direito de ir e vir do brasileiro.