Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 16/10/2017

Harmonia Aristotélica

Conforme a etimologia do termo, a mobilidade urbana diz respeito à capacidade de um indivíduo se locomover, livremente, pelos centros urbanos. Todavia, o que se torna notório é o problema histórico do tráfego no Brasil. Assim, seja pela política rodoviarista; seja pelas precárias condições do transporte público, a problemática urbana persiste intrinsecamente associada à sociedade hodierna.

É incontrovertível que a política rodoviarista adotada por Juscelino Kubistchek e intensificada por outros regimes esteja entre as causas do impasse. No limiar da década de 1960, com o slogan ‘’50 anos em 5’’ J.K abria a economia brasileira ao capital internacional, por meio do Plano de Metas, com o projeto de urbanizar o Brasil e interligá-lo. Notadamente bem-sucedido, acompanhando a sobeja urbanização intensificou-se os inúmeros problemas urbanos, a título de exemplo, a imobilidade urbana, as ilhas de calor e a poluição sonora. Nesse sentido, percebe-se que em um país com dimensões continentais, o incentivo fiscal à indústria automobilística por meio de um projeto rodoviário tornou-se um elefante branco brasileiro.

Outrossim, é inegável que o problema está longe de ser resolvido. Segundo a teoria política aristotélica, o Estado deve garantir a harmonia e o Bem-Estar social. Nesse contexto, indo de encontro à tese do filósofo, o transporte público encontra-se, quando existente, em condições precárias- o que justifica o fato de a cada 57 carros nas ruas há apenas 1 ônibus, segundo dados divulgados pela SINDIONIBUS- tornando o governo de Bem-Estar uma utopia.

Destarte, é evidente que medidas são necessárias para mitigar o impasse. O Governo Federal, por intermédio do Ministério dos Transportes, deve atuar em consonância com os prefeitos aprimorando e expandindo as vias de transporte público como metrôs e ônibus. Ademais, é indispensável que as empresas privadas atuem juntamente com o Estado, criando vias ecologicamente alternativas como as ciclovias, em prol de atenuar a problemática urbana. Quem sabe, dessa forma, a harmonia aristotélica se torne menos utópica à sociedade hodierna.