Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 17/10/2017
Êxodo rural é caracterizado pelo abandono do campo por seus trabalhadores em busca de melhores condições de vida. Esse processo se intensificou no Brasil durante a década de 1950, trazendo grandes contingentes populacionais para o meio urbano. Atualmente, fruto dessa migração, as cidades brasileiras enfrentam uma série de desafios na mobilidade urbana: explosão da frota de carros e precarização do transporte coletivo.
O primeiro aspecto a ser ressaltado é o número de carros. Para atrair as multinacionais do setor automobilístico, Juscelino Kubitschek ampliou a malha rodoviária do Brasil, negligenciando os outros modais de transporte. Isso incentivou o aumento desenfreado da frota de veículos, evidenciado pelos grandes congestionamentos, principalmente em São Paulo, onde chega-se à centena de quilômetros. Esse problema é agravado pela migração pendular, fenômeno caracterizado pelo deslocamento diário para estudar ou trabalhar em outra cidade. Segundo estimativas do IBGE, 7,5 milhões de brasileiros vivem nessa condição.
O transporte coletivo é uma ferramenta para desafogar o trânsito das médias e grandes cidades. Embora seja de competência dos governos municipais, as prefeituras não dispõem de verbas para investimentos, haja vista a má distribuição dos impostos entre os entes da federação. Outro problema é o cartel dos meios de transporte, que impedem a entrada de novos concorrentes no setor. O sindicato dos taxistas, por exemplo, conseguiu perante a Câmara Municipal do Rio de Janeiro a proibição dos aplicativos de transporte de passageiros, como o Uber e o Cabify.
Dado o exposto, a fim de resolver os problemas de mobilidade urbana, é necessário a diversificação da malha viária, com a construção de metrôs pelo Governo Federal por meio de parcerias público-privadas nas principais regiões metropolitanas do País, com o intuito de diminuir a necessidade do uso de carros. A prefeitura cabe a construção de ciclovias nas avenidas mais importantes, que exigem baixos investimentos públicos, e parcerias com a iniciativa privada para a implementação de pontos de bicicletas espalhados pela cidade, para incentivar o seu uso pela população. Já a sociedade civil deve participar dos debates dentro das câmaras municipais a fim de incentivar a desregulamentação do setor, autorizando, assim, a entrada de novas empresas no setor e permitindo a livre concorrência.