Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 18/10/2017

Durante abertura econômica promovida por JK durante seu governo, na década de 60, as empresas automobilísticas que se instalaram no país possibilitaram a aquisição de carros modernos pelos brasileiros, impulsionando a mobilidade urbana. Desde então, os veículos particulares se sobrepuseram ao transporte público, gerando desafios para mobilidade urbana em função da falta de infraestrutura de transporte público aliado à falta de planejamento urbano.

Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o transporte público sempre foi uma alternativa para deslocamento dos cidadãos entre regiões da cidade. Entretanto, com crescimento das cidades, tal forma de locomoção foi deixada em segundo plano. Isso porque, muitas vezes o transporte público não é capaz de atender às demandas da população, em função da falta de veículos ou até mesmo vias insuficientes. A exemplo disso, temos a malha ferroviária do metrô da cidade de São Paulo que, apesar de extensa, possui estações importantes com obras embargadas, impossibilitando a locomoção direta pela cidade. Outrossim, as altas tarifas e a superlotação são fatores que inviabilizam o uso do transporte público pela população urbana.

Ademais, é notório que o crescimento desordenado das regiões urbanas e o aumento do poder de consumo contribuem para a incidência do congestionamento, fator que põe em xeque a mobilidade urbana. Com o índice crescente dos números de veículos particulares nas cidades, torna-se necessário questionar o uso do espaço das vias urbanas pelos mesmos. Segundo Isaac Newton, não há como dois corpos ocuparem o mesmo espaço. Esta relação se exemplifica ao se analisar que um único ônibus comporta o mesmo número de pessoas que 50 carros, dessa forma, o modelo urbano atual torna inviável o uso de veículos particulares.

É evidente, portanto, que o maior impasse para mobilidade urbana é o alto número de veículos particulares nas ruas. Destarte, é necessário que, além de maiores investimento no transporte público, por parte do governo e do Ministério do Transporte, é preciso que a população adote formas de locomoção compartilhada, popularmente conhecida como carona, para que evite-se ao máximo a ocupação excessiva de carros com o mesmo destino, a fim de que todos possam ter o direito de ir e vir assegurado.