Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 18/10/2017

Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. Nesse sentido, com o avanço do capitalismo, recai sobre o homem o compromisso de tornar as cidades mais dinâmicas e acessíveis. No século XXI, a preocupação com a mobilidade urbana, a partir da melhoria da infraestrutura viária, bem como da expansão dos transportes de massa , são reflexos dessa realidade.

A princípio, a problemática do deslocamento nos núcleos urbanos está intimamente relacionada com a infraestrutura dos parques modais. Nesse âmbito, as condições precárias e intrafegáveis de grande parcela das estradas e rodovias brasileiras acentuam a perda significativa do movimento ao longo das cidades. Cabe acrescentar que a precariedade das sinalizações contribuem para os grandes congestionamentos e engarrafamentos. Sob essa conjectura, nota-se que o modal de transporte brasileiro sempre foi destinado para atender as demandas das grandes empresas e complexos industriais. Na década de 1950, a Política Rodoviarista de Juscelino Kubitschek já dava o tom dessa realidade ao construir rodovias e estimular a indústria automobilística para atender as demandas internacionais, distanciando, assim, da busca de mobilidade para a população.

Outro fator preocupante é a valorização comercial dos automóveis frente à desvalorização dos transportes de massa. Desse modo, na última década, as políticas governamentais estimularam, de forma exponencial e constante, o mercado de consumo de carros, principalmente, a partir da redução de Impostos e com o aumento de crédito para a população. Sob essa conjectura, o volume de carros cresceu e a dificuldade de deslocamento nos municípios se acentuaram. Assim, cabe salientar que a busca pela revalorização dos transportes de grande quantidade de pessoas é importante, haja visto que, os mesmos levam mais indivíduos e ocupam menos espaço no âmbito da circulação urbana.

O combate à problemática citada anteriormente, a fim de conter o avanço da crise de mobilidade, deve torna-se efetivo, uma vez que representa um retrocesso social. Nesse sentido, é importante que o Ministério dos Transportes invista na recuperação e construção de vias, com fito na melhoria do fluxo urbano. Além disso, o Governo Federal deve criar a Política Nacional de Transportes Urbanos de Massa, com intuito de aumentar a frota e consequentemente o deslocamento nas cidades. Por fim, urge que a mídia televisiva, por meio de campanhas e ações, estimule a população de fazer o uso da “carona solidária”, ideia que possibilita as pessoas compartilharem o mesmo veículo para ir e vir do trabalho, com a finalidade de reduzir o número de carros nas vias. Assim, com tais medidas, poder-se-á possibilitar uma melhor dinâmica de pessoas e das cidades.