Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 18/10/2017
Desde a queda do café e da borracha, ambos durante o século XX, a sociedade brasileira sofreu um processo de êxodo rural, na qual as pessoas buscavam empregos e condições melhores de vida nos centros urbanos, e nas recém criadas indústrias. Entretanto, essa migração para as cidades não foi planejada pelos governos locais, e isso levou a transtornos na locomoção dentro dessa, gerando trânsito e lentidões em vias urbanas, principalmente na automotiva. Contudo, além das raízes históricas, a cidade também foi prejudicada pelo individualismo, associado ao consumismo atual.
É indubitável que o processo histórico de formação dos centros urbanos foi o fator que mais prejudicou a mobilidade urbana. Primeiramente, o êxodo rural que levou centenas de milhares de pessoas a migrarem para as cidades, essas sem estrutura para recebe-los. Outra causa histórica foi a política automobilística adotada durante o governo Juscelino Kubitschek(1956-1961), na qual foi incentivado a entrada de indústrias automotivas e o desenvolvimento da malha rodoviária nacional, usando o pretexto de que “ferrovias são coisa do passado”, sem criar outras formas de transporte.
Além disso, cabe ressaltar que o individualismo em relação aos transportes é uma das maiores causas para o tráfego de automóveis atual. Segundo Zygmunt Bauman, a principal característica e maior conflito período pós moderno é o individualismo, que se mostra na perda da identidade coletiva e da transformação de indivíduos em consumidores. Nesse âmbito, a má qualidade do transporte público aliada a perda da identidade coletiva incentiva a população a utilizar transportes individuais como carros e motos que ocupam mais espaço nas ruas do que coletivos,e,consequentemente,gerando lentidões.Já quanto ao consumismo, de acordo com o sociólogo Theodor Adorno, a mídia cria certos esterótipos que tiram a liberdade de pensamento das pessoas, forçando imagens que não condizem com a realidade. Assim, a imagem de “sucesso” relacionada a compra e uso de carros altera o pensamento da população, em que essa terá preferência por automotivos no lugar de coletivos, aumentando o trânsito.
Infere-se, portanto, que a “desmobilidade urbana” é consequência direta de fatores históricos e da cultura individualista. Sendo assim, cabe ao Ministério dos Transportes criar medidas para melhorar a qualidade do transporte coletivo, o tornando mais atrativo a população ou implementar novos meios de transportes em grandes centros urbanos, como hidrovias ou metrôs. Ainda cabe a mídia incentivar a população a utilizar outras formas de se locomoção no lugar de automóveis, sendo bicicletas e “hoverboards” opções viáveis que se adequam a política consumista. Ademais, cabe ao cidadão ter consciência das suas ações individualistas em relação a mobilidade urbana, e, esse refletir se utilizar o transporte individual é realmente necessário, podendo evitar a criação de lentidões.